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50 anos depois: a ‘Psychanalyse, son image et son public’ na era do Facebook

2011

2ª EDIÇÃO 2014 eBook/pdf Conselho Editorial Ana Lúcia Galinkin - Universidade de Brasília Ana Raquel Rosa Torres - Universidade da Paraíba Claudiene Santos - Universidade Federal de Sergipe Marco Antônio Sperb Leite - Universidade Federal de Goiás Maria Alves Toledo Bruns - Universidade de São Paulo - Ribeirão Preto Maria Lúcia Montes - Universidade de São Paulo -Capital Maria das Graças Torres da Paz - Universidade de Brasília Vani Rezende - Universidade Católica de Uberlândia Conselho Científico Jorge Vala - Universidade de Lisboa José Francisco Valencia Gárate - Universidad del Pais Vasco Lídio de Souza - Universidade Federal do Espírito Santo (in memoriam) Marcus Eugênio Oliveira Lima - Universidade Federal de Sergipe Maria Stella Grossi - Universidade de Brasília Paulo Rogério Meira Menadro - Universidade Federal do Espírito Santo Edição, revisão e Referências APA: Maurício Galinkin/Technopolitik Editora Capa e projeto gráfico: Paulo Roberto Pinto/Ars Ventura Imagem & Comunicação Produção do eBook: Maurício Galinkin/Technopolitik Editora, utilizando o programa Authors, Apple e convertido para pdf para ser lido com Acrobat Reader ® da Ficha catalográfica Teoria das Representações Sociais: 50 anos. Angela Maria de Oliveira Almeida / Maria de Fátima de Souza Santos / Zeidi Araujo Trindade, organizadoras. - Brasília: Technopolitik, 2014 898 p.: il. Inclui Bibliografia. Coedição com o Centro Moscovici-UFPe ISBN 978-85-62313- 09-7 1. Representações sociais- teoria. 2. Pensamento social. 3. Psicanálise. 4. Cibercultura. I. Almeida, Angela Maria de Oliveira (org.). II. Santos, Maria de Fátima Souza (org.). III. Trindade, Zeidi Araujo (org.). CDU 316 © Technopolitik Editora, 2014. Setor de Rádio e Televisão Sul, 38, Quadra 701, Cj. L, BL.01, sala 709, parte A181.Asa Sul. CEP 70340-906. Brasília. DF. Tel.: (61) 8407-8262. Contato: [email protected] i Créditos dos Tradutores Os textos em língua estrangeira foram transpostos para o português pelos seguintes tradutores: Capítulo 2- José Geraldo de Oliveira Almeida, original em francês; Capítulo 4 - José Geraldo de Oliveira Almeida, original em francês; Capítulo 6 - José Geraldo de Oliveira Almeida, original em francês; Capítulo 7 - José Geraldo de Oliveira Almeida, original em francês; Capítulo 8 - Juliana Harumi Chinatti, original em espanhol; Capítulo 9 - José Geraldo de Oliveira Almeida, original em francês; Capítulo 11- Juliana Harumi Chinatti, original em espanhol; Capítulo 13 - Marina Rego, original em inglês; Capítulo 14 - Juliana Harumi Chinatti, original em espanhol; Capítulo 17- Mariana Bonomo, original em italiano; Capítulo 18 - Marina Rego, original em inglês; Fotografias: Jossonhir Britto e Acervo Centro Moscovici É proibida a reprodução para fins comerciais. ii In Memoriam Serge Moscovici (1925-2014) iii iv SUMÁRIO VII IX XXII XXVIII 42 78 Apresentação da 2ª edição Angela Almeida, Fátima Santos e Zeide Trindade Prefácio Ricardo Vieiralves de Castro Apresentação da 1ª edição Angela Almeida, Fátima Santos e Zeide Trindade Serge Moscovici: um pensador do social Rafael Moura Coelho Pecly Wolter, Universidade do Estado do Rio de Janeiro Um Conceito Reencontrado Jorge Correia Jesuino, Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE) Difusão das Representações e Inteligência Coletiva Distribuída Saadi Lahlou, London School of Economics and Social Science Ancoragem: notas sobre consensos e dissensos 134 164 212 Zeide Trindade, Universidade Federal do Espírito Santo, Fátima Santos, Universidade Federal de Pernambuco e Angela Almeida, Universidade de Brasília. Sistema e Metassistema Willem Doise, Universidade de Genebra Representações Sociais e Polifasia Cognitiva: notas sobre a pluralidade e sabedoria da razão Sandra Jovchelovitch, London School of Economics and Political Science 238 Comunicação e ancoragem: a difusão e a transformação das representações Alain Clémence, Eva G.T. Green e Nelly Courvoisier Universidade de Lausanne 262 A fecundidade múltipla da obra “A Psicanálise, sua imagem e seu público” Denise Jodelet, École des Hautes Études en Sciences Sociales 298 346 376 Leitura Epistemológica da Teoria das Representações Sociais María A. Banchs, Universidade Central da Venezuela Abordagens Filosóficas e Teoria das Representações Sociais Dorra Ben Alaya, Universidade de Tunis-El-Manar Sobre o pensamento social e sua gênese: algumas impressões Celso Pereira de Sá, Universidade do Estado do Rio de Janeiro v Representações Sociais e Psicologia Social 402 Augusto Palmonari, Universidade de Bolonha e Javier Cerrato, Universidade do País Basco Representações Sociais: dinâmicas e redes 442 492 Angela Arruda, Programa de Pós-Graduação em Psicologia/Universidade Federal do Rio de Janeiro O Alcance das Representações Sociais: impacto e ramificações Gina Philogene, Sarah Lawrence College 520 574 Representações sociais e memória coletiva: uma releitura Martha de Alba, Universidad Autónoma Metropolitana Iztapalapa - México Teoria das Representações Sociais: uma concepção contextualizada de comunicação Brigido Vizeu Camargo e Andréa Barbará S. Bousfield, Laboratório de Psicologia Social da Comunicação e Cognição Universidade Federal de Santa Catarina Cibercultura: uma nova “era das representações sociais”? 606 650 Alda Judith Alves Mazzotti e Pedro Humberto Faria Campos, Universidade Estácio de Sá 50 anos depois: a “Psychanalyse, son image et son public” na era do Facebook Annamaria Silvana de Rosa, Faculdade de Psicologia da Universidade de Roma La Sapienza, Itália O pensamento social e a produção do conhecimento local 744 774 Risa Permanadeli, Centro de Estudos de Representação Social, Djacarta, Indonésia. Estudos de Pós-Graduação em Estudos Regionais Europeus, Universitas Indonésia A Teoria de Representações Sociais como grade de leitura da saúde e da doença: a constituição de um campo interdisciplinar Denize Cristina de Oliveira, Universidade do Estado do Rio de Janeiro 830 870 Contribuições dos estudos de representações sociais para compreensão do trabalho docente Clarilza Prado de Sousa, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo; Lúcia Pintor Santiso Villas Bôas, Universidade Metodista de São Paulo; e Adelina de Oliveira Novaes, Fundação Carlos Chagas Sobre as Autoras e Autores vi Apresentação da 2ª edição Angela Maria de Oliveira Almeida, Maria de Fátima de Souza Santos e Zeidi Araujo Trindade (organizadoras) Brasília, dezembro de 2014 Este livro, publicado inicialmente em 2011, foi concebido para comemorar os 50 anos da Teoria das Representações Sociais, cujo marco de sua aparição foi a obra La psychanalyse, son image e son public, de autoria de Serge Moscovici. Em 15 de novembro de 2014 o pensador errante (como se autorreferiu em algum momento) que produziu esta grande obra nos deixou. Com ele se apagou a chama da inovação e da originalidade que por mais de meio século iluminou os meios acadêmicos. Com esta segunda edição prestamos homenagem ao nosso grande mestre, que atravessou o Atlântico para discutir com os psicólogos do além-mar suas impertinentes ideias sobre a psicologia social. APRESENTAÇÃO DA 2ª EDIÇÃO vii ANGELA ALMEIDA, FÁTIMA SANTOS E ZEIDI TRINDADE viii 17 50 anos depois: a “Psychanalyse, son image et son public” na era do Facebook Annamaria Silvana de Rosa Faculdade de Psicologia da Universidade de Roma La Sapienza, Itália. Traduzido por Mariana Bonomo, do original em italiano 1961 – 2011: 50 anos de história de uma ideia “mais do que uma teoria” 50 anos de uma ideia de sucesso – que, sob a forma de uma teoria apresentada em uma obra prima (Moscovici, 1961/1976), gerou um campo transdisciplinar que hoje inclui milhares de publicações, em muitas línguas, disseminadas em todos os continentes – merecem bem mais espaço do que apenas um parágrafo. Na realidade, este será o objetivo do livro já anunciado na série “Social Representations and Communication: Media and Society” com o título “A biografia de uma teoria: uma pesquisa meta-analítica sobre o nascimento e a difusão da teoria das representações sociais”, no qual ilustraremos – com análises sustentadas por dados empíricos e científicos – as várias fases em que a ideia foi socializada, para além dos confins da mente de um jovem pesquisador repleto de intuições inovadoras e de seu estreito círculo de colaboradores, para se tornar um terreno _______________ (1) Em outros trabalhos, apresentamos uma análise metateórica da primeira e da segunda edição de “La Psychanalyse, son image et son public”. Ver de Rosa, 2011a e 2011c (2) Inspirada na teoria das Representações Sociais, a série – organizada por de Rosa para Edizioni Unicopli, em cooperação com um conselho editorial composto por Serge Moscovici, Denise Jodelet, Bruno Mazzara, Francesco Colucci (para mais detalhes, ver Anexo A) 650 de cultivo de uma teoria que, mesmo sendo constitutiva e refundadora da psicologia social, ultrapassou os limites deste campo hibridizando-se e fertilizando todas as ciências sociais. Nesta seção tentaremos resumir, de maneira sintética, alguns marcos deste extraordinário percurso, que se tornou um fenômeno extremamente fascinante de difusão de uma teoria científica, sobretudo se considerarmos a volatilidade dos microparadigmas que em psicologia surgem e desaparecem em torno de uma década (se têm sucesso!). Francesca Emiliani e Augusto Palmonari (2009) no capítulo dedicado a La Psychanalyse, son image et son public, texto que funda a teoria das representações sociais, reconhecem que O livro se propõe a um ambicioso propósito renovador da disciplina. Se depois de quarenta anos (e já está chegando o seu quinquagésimo aniversário!) estamos ainda discutindo e refletindo sobre o poder heurístico da teoria que foi delineada neste livro, devemos reconhecer que o autor perseguiu o objetivo de querer redefinir ‘os problemas e os conceitos da psicologia social’ a partir do fenômeno das representações sociais (p. 37, grifo dos autores)”. ANNAMARIA SILVANA DE ROSA 651 Entre outros autores, Ida Galli (2011), no Encontro Internacional por ela organizado em Nápoles, “Celebrações em honra de Serge Moscovici pelo cinquentenário de sua Teoria das Representações Sociais”, nos dias 15 e 16 de 2011, reforça, por sua vez, a sofisticação e a complexidade da Teoria. Nikos Kalampalikis e Valérie Haas (2008) vão mais longe, afirmando Se a teoria das representações sociais encontrou semelhante desenvolvimento dentro e fora da disciplina, é porque foi além de suas fronteiras teóricas iniciais. Isto quer dizer que ela foi além de “uma simples” teoria ou uma “teoria” a mais. Na verdade, o meio século passado provou amplamente que ela é mais do que uma teoria (...): é um novo mapa do pensamento social.( p. 450, grifo dos autores) Sobre este novo mapa do pensamento social –traçado a partir da teoria das representações sociais –, várias gerações de pesquisadores orientaram-se não apenas na pesquisa sobre os mais diversos objetos de investigação psicossocial, mas se empenharam também em assinalar novos percursos, elaborando paradigmas e abordagens específicas. Mesmo compartilhando a unidade da inspiração 50 ANOS DEPOIS: A “PSYCHANALYSE, SON IMAGE ET SON PUBLIC” NA ERA DO FACEBOOK 652 originária e, portanto, reconhecendo-se na literatura das representações sociais, estas abordagens paradigmáticas – desenvolvidas em um terreno fértil também graças à aversão, de sempre e para sempre, manifestada por Moscovici em relação às formas canônicas ou de ortodoxia intelectual, promovendo inovação e autonomia, para além de suas próprias preferências pessoais – adquiriram uma caracterização e uma ressonância tal que podem ser identificadas de maneira distinta, testemunho da fecundidade e vitalidade da própria teoria. Para um tratamento analítico, recomenda-se o livro organizado por Palmonari e Emiliani (2009), Paradigmi delle rappresentazioni sociali. Aqui, nos limitamos a propor um esquema - Fig. 1, na página seguinte - no qual sintetizamos uma série de abordagens paradigmáticas, cujo conjunto dos resultados emergiu a partir do estudo da literatura utilizada como fonte para a análise meta-teórica (3.694 referências entre livros, capítulos de livros, artigos, apresentações em congressos, teses de doutorados e papers apresentados em conferências internacionais sobre representações sociais: de Rosa, 2002a; 2008; 2012a, de Rosa & d’Ambrosio, 2003; 2008), que integram a visão do desenvolvimento da literatura mais convencional focalizada, exclusivamente, sobre duas abordagens paradigmáticas que adquiriram, pela sua notoriedade, uma estreita identificação de escola (em particular, a ‘escola de Aix-en-Provence’ e ANNAMARIA SILVANA DE ROSA 653 a ‘escola de Genebra’), associada aos lugares das instituições de pertença dos pesquisadores que contribuíram à sua formação. As referências bibliográficas relativas às várias abordagens –apresentadas no Anexo B –, não são, obviamente, exaustivas, mas apenas um traço sinalizador de possíveis percursos de leitura(3). Portanto, lamentamos que na esquematização proposta (que tem como objetivo identificar as orientações paradigmáticas prevalecentes) não encontrem espaço autores, mais ou menos notáveis, de livros e pesquisas originais e estimulantes, cuja literatura tem sido fecunda em várias regiões do mundo. A fecundidade da teoria das representações sociais pode ser identificada não apenas com o desenvolvimento de novos paradigmas, mas também com o nascimento de uma comunidade científica, que nesta teoria reconhece o núcleo constitutivo da sua própria identidade e a fundamental razão agregadora, que conduz os seus membros a viajarem de um continente para outro por ocasião de conferências científicas internacionais, encontros científicos de pesquisa em específicos âmbitos temáticos, iniciativas orientadas à formação de jovens pesquisadores, atividades editoriais, e assim por diante. É por isso que, de acordo com Michael Billig (2008), avaliando como tempestivo e oportuno o retardo da edição inglesa de La Psychanalyse (mas, evidentemente, o mesmo pode-se dizer a ANNAMARIA SILVANA DE ROSA 654 respeito da edição italiana, para além da aparente formulação paradoxal: “the delay is timely”), subscrevemos plenamente suas palavras, quando afirma _______________ (3) Ver Anexo B A sua republicação é oportuna porque deveria nos encorajar a refletir sobre as origens da própria teoria das representações sociais. Se os psicólogos sociais querem ser autenticamente abertos à história, deveriam fazer alguma coisa a mais para examinar as origens históricas das ideias que estudam. Estes deveriam também examinar de maneira autorreflexiva as origens históricas de suas próprias ideias. (pp. 355-6) Quando Moscovici escrevia La Psychanalyse, não existia uma network de pesquisadores que conscientemente promoviam o estudo das ‘representações sociais’. Não existiam escolas de verão, conferências ou programas doutorais sobre as representações sociais. Hoje, os editores de Papers on Social Representations podem voltar-se à comunidade das representações sociais. A trajetória das ‘representações sociais’, de entidade nominal – que denota uma suposta entidade no mundo social –, à ‘representação social’ como adjetivo, que descreve uma particular comunidade, abordagem e teoria, ainda não foi concluída. 50 ANOS DEPOIS: A “PSYCHANALYSE, SON IMAGE ET SON PUBLIC” NA ERA DO FACEBOOK 655 Abordagem Estrutural Função geradora, organizadora e estabilizadora do “núcleo central” e funções de adaptação à realidade concreta, de diferenciação do conteúdo ds representações e de proteção do núcleo central pelo ‘sistema periférico’. Relevância da relação entre representações sociais e práticas, e de condições específicas para a mudança das representações sociais (transformação radical, progressiva, sem mudança brusca). ’Zona muda’ – Abordagem experimental. Escola de Aix-en-Provence: Flament, Abric, Guimelli, Rouquette, Moliner, Rateau, Tafani. Representações Sociais como “princípios organizadores de tomada de posições”. Modelo “trifásico” (análise do saber comum, análise das posições individuais, Abordagem ancoragem múltipla em função dos grupos de pertencimento) – Análise das relações Sociodinâmica entre sistemas de crença, valores e normas de referência. Escola de Genebra –Lemanique: Doise, Clémence, Lorenzi-Cioldi, Staerklé, Spini Abordagem Narrativa e Abordagem Dialógica Diversas variações com foco em atividades narrativas, discursivas, textuais ou conversacionais com várias abordagens que tendem ora a valorizar as construções identitárias, ora a privilegiar as relações com a esfera pública e o contexto, ora com padrões de comportamentos coletivos: Lazlo, Joffe, Purkhardt, Jovchelovitch, Contarello, Volpato, Wagner, Hayes, Howart, Colucci. Interdependência dinâmica a Ego-Alter, assimetrias dialógicas e tensão de oposições; conhecimento social compartilhado implícito, heteroglossia no pensamento e linguagem: Marková. Abordagem Antropológica, Abordagem Etnográfica Articulação entre subjetividade, intersubjetividade, transubjetividade: Jodelet, Haas, Kalampalikis, de Alba. Articulação entre ontogênese, microgênese e sociogênese com estudos principalmente sobre a gênese e coevolução das representações sociais e das identidades sociais em contextos interativos e educativos: Duveen, Lloyd, Carugati, Emiliani, Molinari. Abordagem Modelizante Abordagem multiteórica e multimétodo, baseada na articulação-diferenciação de diversos construtos (atitudes, opiniões, imagens, identidade multidimensional, memória social, emoções, mitos…) justificados sob a base da sua compatibilidade epistêmica e modelizados por meio de vários métodos (verbais, gráfico-figurativos, projetivos/ estruturais), e também segundo hipóteses concernentes à interação entre resultados esperados, técnicas (em função dos diversos canais comunicativos) e estratégias de análise. Doutorado europeu em Representações Sociais e Comunicação. Laboratório Multimídia do Centro de Pesquisa em Comunicações e Representações Sociais: de Rosa, Bocci, d’Ambrósio, e um grande número de doutores e estudantes de doutorado trabalhando no Laboratório em Roma e na rede europeia de doutores. A abordagem multimétodo (de Rosa, 1987, 1990, 2002) é amplamente difundida, seja entre aqueles que estão convencidos da oportunidade de superar a obsoleta dicotomia entre métodos quantitativos e qualitativos, ou adotam desenhos de pesquisas complexos baseados na triangulação de métodos, seja entre os que estão interessados no estudo integrado das representações sociais na mídia e nos sujeitos sociais: Bauer & Gaskell, Wagner. Fig. 1 – Paradigmas das Representações Sociais: uma teoria, diversas abordagens e métodos ANNAMARIA SILVANA DE ROSA 656 ! Os argumentos de Moscovici acerca da difusão das ideias científicas reflexivamente se impõem ao seu próprio livro, como um recurso para examinar o nascimento de uma ideia que se tornou bem mais do que uma ideia: a identidade de uma comunidade de estudiosos. Muito sinteticamente, o percurso fecundo que de uma pesquisa original e audaz – sustentada pela gestação de um complexo de ideias inovadoras – desencadeou uma cadeia progressiva de desenvolvimentos científicos que podemos sintetizar nos seguintes pontos: • no ato oficial de nascimento da teoria das Representações Sociais, com o livro publicado em 1961; • na sua reformulação, com a segunda edição profundamente renovada de 1976; • na sua difusão progressiva na França (de finais dos anos 60 ao início dos anos 70) e da França para os outros países europeus (de finais dos anos 70 ao início dos anos 80 em diante); • na proliferação de uma literatura vastíssima por escolhas temáticas, pertencimento geográfico, orientação metodológica e paradigmática, e no debate crítico que tem provocado na comunidade científica mais ampla, suscitando uma forte 50 ANOS DEPOIS: A “PSYCHANALYSE, SON IMAGE ET SON PUBLIC” NA ERA DO FACEBOOK 657 dinâmica de controvérsias, respostas e refutações, seja a partir da perspectiva do mainstream, seja da perspectiva mais radical da análise do discurso; • n o n a s c i m e n t o d e u m a c o m u n i d a d e c i e n t í fic a internacional, que fez desta teoria o elemento constitutivo da própria identidade cultural, e que conta atualmente com milhares de estudiosos em todos os continentes; • nos eventos científicos e outras formas institucionais de comunicação e troca científica, como as Conferências Internacionais bianuais sobre as Representações Sociais ICRS, organizadas a partir de 1992, e as JIRS (Jornada Internacional sobre Representações Sociais) ou as CBRS (Conferência Brasileira sobre Representações Sociais); • no nascimento de uma revista especializada, em 1992, Papers on Social Representations (http://www.Psych.Lse.Ac.Uk/Psr) , e no número e variedade de revistas de diferentes âmbitos disciplinares que publicam artigos sobre as representações sociais; • na renomeação de cursos universitários – tradicionalmente voltados ao estudo Atitudes e das Opiniões – em Atitudes e das Representações Sociais, com uma redefinição dos programas de ensino acadêmico visando a compatibilização ANNAMARIA SILVANA DE ROSA 658 paradigmática (é o caso, por exemplo, do ensino ativo desde 1992 junto à Faculdade de Psicologia da Universidade La Sapienza de Roma, atualmente agrupada em Faculdade de Medicina e Psicologia); • na criação institucional de um doutorado internacional dedicado especificamente à formação em pesquisa no âmbito das Representações Sociais e da Comunicação (European PhD on Social Representations and Communication), aprovado pela Comissão Europeia desde 1993, implantado e plenamente operativo desde 1996. Este doutorado internacional expede um título conjunto, por meio de convênio, entre seis universidades em quatro países europeus (La Sapienza Roma, Italia; Universidade de Provence, Universidade Paul-Valéry Montpellier III e Universidade Lumière Lyon 2, França; Universidade Masaryk, Brno, República Tcheca; Universidade A.I. Cuza, Iasi, Romênia) em cooperação com uma ampla rede institucional de universidades. O convênio é atualmente constituído por uma network “institucional” de 22 universidades em 15 países, nos vários continentes: 17 universidades em nove países europeus (AT, CZ, FR, IT, PT, RO, ES, CH, UK), e cinco universidades de outros continentes, na América do Norte (Canadá), América do Sul (Argentina e Brasil) e na Ásia (China). Recentemente, abriu-se a network à 50 ANOS DEPOIS: A “PSYCHANALYSE, SON IMAGE ET SON PUBLIC” NA ERA DO FACEBOOK 659 colaboração com empresas e centros de pesquisas no âmbito extra-acadêmico (http://www.europhd.eu). Ele é coordenado pela Universidade La Sapienza de Roma, e dispõe de uma adequada infraestrutura: European PhD on Social Representations and Communication Research Centre and Multimedia Lab; • na constituição de uma Rede Temática de Excelência sobre Representações Sociais e Comunicação (SoReCom THEmatic NETwork), aprovada pela Comissão Europeia em 2004, que conta com mais de mil pesquisadores e centenas de instituições parceiras acadêmicas e extra-acadêmicas em todos os países europeus e afiliações de centros de pesquisa especializados em todo o mundo, (http://www.europhd.eu/SoReComTHEmaticNETwork). Esta rede persegue, de forma sistemática e integrada, objetivos destinados a: a) obter toda a documentação científica produzida neste campo (com a implementação e contínuo desenvolvimento de um inventário bibliográfico, formado atualmente por mais de sete mil referências bibliográficas, e de uma biblioteca virtual com mais de mil publicações, além do desenvolvimento de um programa de pesquisa progressivo destinado à meta-análise de toda a literatura sobre as Representações Sociais, atualmente realizada a partir de três mil fontes bibliográficas); b) promover a formação em pesquisa (por meio de seu núcleo institucional representado pelo European PhD on Social Representations and Communication, que deu origem a uma ampla rede temática); ANNAMARIA SILVANA DE ROSA 660 facilitar a networking entre os membros da comunidade científica internacional (registrados no “SoReComTHEmaticNETwork Scientific Community online data base”: http://www.europhd.eu/html/_onda03/04/01.00.00.0 0.shtml), cujas novidades são comunicadas mensalmente por meio do SoReCom. THENET@-NEWS (http://www.europhd.eu/SoReComTHENET_@-NEW S); d) a comunidade científica, nos últimos anos, tem promovido iniciativas destinadas, de um lado, à criação de subnetworks de caráter temático(4) e, por outro, à regionalização dos centros de pesquisa, sobretudo nos países latino-americanos, mas também no Canadá, Europa e Ásia(5); c) Enfim, no recente nascimento da série editorial dedicada, como a Routledge Series “Cultural Dynamics of Social Representations”, dirigida por Ian Valsiner, e a série multilíngue (inglês-italiano-francês) Social Representations and Communication: Media and Society, dirigida por Annamaria Silvana de Rosa, por meio da Edizioni Unicopli, inaugurada pela edição italiana(6) de “A psicanálise, sua imagem e seu público”, de Moscovici. _______________ (4) Em 2010 foi lançado o RPRES: Réseau International de Recherche sur les Représentations Sociales en Santé com parceiros em Portugal, Brasil, França, Argentina, Áustria, Itália, México e Escócia. (5) Foram criados na Argentina, o Ciereps - Centre International d’étude en représentations et pratiques sociales – junto à Universidade de Quilmes; no Brasil: 1) o Ciers-ed - Centre International d’études en représentation sociales, subjectivité et education – (http://www.fcc.org.br/pesquisa/ciers_eng.html); 2) o Laccos - Laboratório de Psicologia Social da Comunicação e Cognição junto à Universidade Federal de Santa Catarina (http://www.laccos.org); 3) o Centro Moscovici - Centro Internacional de Pesquisa em Representações e Psicologia Social Serge Moscovici, junto à Universidade de Brasilia 50 ANOS DEPOIS: A “PSYCHANALYSE, SON IMAGE ET SON PUBLIC” NA ERA DO FACEBOOK 661 (http://www.centromoscovici.com.br/); no México, o Renirs (Red Nacional de investigadores en Representaciones Sociales) - Cemers (Centro Mexicano para el Estudio de las Representaciones Sociales); no Canadá, o Geirso - Groupe d'étude sur l'interdisciplinarité et les représentations sociales (http://www.geirso.uqam.ca), na Europa (Itália), o CeMeRS - Centro Maditerraneo per lo Studio delle Rappresentazioni Sociali e na Ásia (Jakarta), o Yayasan Pusat Kajian Representasi Sosial (Fundação de Estudos sobre Representação Social). (6) Concomitantemente, uma edição em português de La Psychanalyse é produzida no Brasil. 2011: um aniversário e, junto, um batismo! A edição italiana de “La Psychanalyse, son image et son public” é publicada em 2011, quando em todo o mundo se multiplicam eventos científicos (simpósios e workshops internacionais, livros ad hoc, números de revistas monotemáticas(7), que têm como escopo celebrar o quinquagésimo aniversário deste livro que representa o ato de nascimento oficial da teoria, e render homenagem ao seu autor, que em sessenta anos de intenso trabalho científico e intelectual produziu pelo menos três teorias que marcaram a história e o destino das ciências sociais: a teoria das representações sociais, a teoria da inovação, comumente denominada de minorias ativas, e a teoria das decisões coletivas e do consenso social, todas transversalmente unidas e sutilmente interconectadas por uma destacada paixão pelos _______________ (7) Entre os vários simpósios e workshops internacionais organizados para festejar os 50 anos do nascimento da teoria das Representações Sociais, registramos: o Congresso internacional “Celebrazioni in onore di Serge Moscovici per il cinquantenario della sua Teoria delle Rappresentazioni Sociali” (Napoli, 15-16 de abril de 2011), a sessão especial organizada no âmbito da VII JIRS e V CBRS, “Teoria das Representações Sociais 50 anos: Memórias, desafios contemporâneos e perspectivas” (Vitória, Brasil 24 -27 de julho de 2011), Conference at London School of Economics anunciada para o período de 22-23 de março de 2012 com a apresentação do número especial da Papers on Social Representations sobre os 50 anos da teoria e a celebração dos 20 anos da revista. ANNAMARIA SILVANA DE ROSA 662 Entre os livros ad hoc, a presente obra, organizada por Almeida, Santos e Trindade (Eds.) (2011); Galli, I. (Ed.), (2011). Para revistas monotemáticas, temos um número especial da Papers on Social Representations foi anunciado em 2011: “A half century of social representations: discussion on some recommended papers” organizador por C. Howarth, N. Kalampalikis e P. Castro. Também a revista brasileira Temas em Psicologia dedica uma edição especial, neste ano, ao aniversário dos 50 anos da teoria das representações sociais (vol. 19, n. 1). Já em 2008 a publicação em língua inglesa de Psychanalysis, its image and its public (Polity Press, 2008) foi uma ocasião para dedicar reflexões sobre a obra, em um número especial do Journal for the Theory of Social Behaviour (vol. 38). processos de inovação que caracterizou a história das ciências(8). Na realidade, reunir em uma Opera Omnia toda a produção científica de Serge Moscovici permanece um projeto ainda em aberto para a comunidade científica (e para um corajoso editor) que queria encarregar-se da organização de uma apresentação sistemática e temporalmente organizada, destino merecido pelos grandes do pensamento como Freud, Piaget, apenas para nos limitar a dois nomes significativos não apenas para a psicologia, mas para a história das ideias em geral. Festejamos em 2011 o aniversário da teoria das representações sociais, não somente com a reflexão voltada ao passado, com o escopo de percorrer a dinâmica geradora daquela extraordinária aventura intelectual, mas também com o olhar direcionado ao futuro e à potencialidade criadora de novas pesquisas – que aquela obra que veio à luz 50 anos atrás ainda tem o poder de inspirar – e de novas iniciativas editoriais, que valorizem a sua disseminação. Não existe modo melhor de testemunhar a vitalidade de uma ideia, que se tornou ao mesmo tempo uma teoria e um campo científico em 50 ANOS DEPOIS: A “PSYCHANALYSE, SON IMAGE ET SON PUBLIC” NA ERA DO FACEBOOK 663 larguíssimas proporções, do que festejar um aniversário com um novo nascimento! Justamente, em virtude deste poder criador de novas ideias e pesquisas, Denise Jodelet qualifica a Teoria das Representações Sociais como “Uma bela invenção”, baseada em Tarde: _______________ (8) Para uma reflexão em torno da obra de Serge Moscovici e de uma reconstrução de suas publicações de 1953 a 2001, consultar a obra editada por Buschini, F. e Kalampalikis, N. (2001), Penser la vie, le social, la nature. Mélanges en l’honneur de Serge Moscovici. Paris: Editions de la Maison des sciences de l’homme. Devemos reservar o termo belo a uma ideia que nos torna capazes de descobrir novas ideias e a uma invenção que julgamos fecunda para futuras invenções (Tarde, 1893, p. 537). A psicanálise, sua imagem e seu público é uma ilustração paradigmática desta afirmação. A obra de Moscovici nunca foi um projeto de pura repetição imitativa ou réplica, como frequentemente ocorre em psicologia. O seu trabalho se propõe como impulso para abrir novos percursos de descobertas. É neste sentido que Psychanalysis, son image et son public deve ser considerada uma obra seminal: ela tem dado vida a novas invenções” (Jodelet, 2008, p. 411). Os nascimentos que festejamos em 2011 – junto ao aniversário dos 50 anos da teoria, confirmando sua fertilidade e vitalidade – se articulam sobre uma dupla vertente: uma editorial, e outra de pesquisa. ANNAMARIA SILVANA DE ROSA 664 Os novos nascimentos sob a vertente editorial Sobre a vertente editorial, estamos orgulhosos de inaugurar a série multilíngue dedicada à área de pesquisa teórico-empírica “Representações Sociais: Mídia e sociedade”, com a edição italiana da Opera prima de Serge Moscovici, fundamental a este campo científico, um “clássico moderno”, que como aquela em inglês que a precedeu em 2008, e também a versão em português publicada em 1978 (limitada à primeira parte, mas anunciada a versão integral para 2011), baseia-se na tradução da edição de 1976 (reimpressa em 2004). O destino comum de muitas obras “monumentais” é o de serem citadas por muitos e nem sempre lidas por todos. Esperamos que a publicação em italiano desta opus magnum (assim como a tradução em inglês, relativamente ao mundo anglo-saxônico) contribua para aproximar os leitores (e entre estes, os nossos estudantes) à leitura integral da obra original, ao invés de utilizarem atalhos por meio de citações de segunda mão. Isto poderia poupar a teoria das representações sociais do mesmo destino verificado empiricamente por Moscovici para a psicanálise, de ser transformada (e não somente entre as pessoas comuns) de teoria a vulgata com seus jargões. Atraído pela potência criativa e pela elegância narrativa da 50 ANOS DEPOIS: A “PSYCHANALYSE, SON IMAGE ET SON PUBLIC” NA ERA DO FACEBOOK 665 obra originária, o leitor/pesquisador poderá, assim, aventurar-se a compreender esta teoria com mais profundidade e desenvolvê-la com um empenho respeitoso em relação à sua “mission” intelectual e à sua “vision” da psicologia social. De acordo com Colucci (2011), “sua leitura que, às vezes, pode ser difícil, mas nunca tediosa, é necessária para conhecer e criticar este conceito, frequentemente citado. Rapidamente, será possível falar e escrever sobre as representações sociais de maneira consciente e apropriada”. De qualquer forma, como observa Charles Smith (2008, pp. 325-326) – introduzindo o número especial dedicado da revista Journal for the Theory of Social Behaviour à publicação da edição inglesa de “Psychoanalysis: Its Image and Its Public” –, o leitor, seja ele iniciante ou especialista (“filósofos, sociólogos, linguistas, antropólogos, ou de quaisquer outras disciplinas acadêmicas, realistas, construtivistas, cognitivistas, fenomenológicas, interacionistas simbólicos ou também de algumas combinações ou negações destas ‘escolas’”), empreenderá “una viagem intelectual altamente informativa e agradável”. O livro A psicanálise, sua imagem e seu público é um texto indispensável a estudantes e estudiosos das ciências sociais interessados em compreender – por meio da teoria das representações sociais – os processos e os modus operandi da elaboração do conhecimento “no” e “do” social e da relação entre ANNAMARIA SILVANA DE ROSA 666 conhecimento especializado, senso comum e sistemas de comunicação, como aparatos de mediação de significados em relação ao posicionamento ideológico de indivíduos, grupos e instituições e às suas construções identitárias e simbólicas. Portanto, o livro é destinado a um público bem mais amplo do que os leitores (mais ou menos especialistas) interessados na psicanálise, escolhida como objeto de exemplificação da investigação nesta pesquisa exemplar, que fundou um campo de estudo em contínua expansão. Visto que a história que conduz a uma teoria e aos seus desenvolvimentos (sejam científicos ou institucionais) é ela mesma parte desta teoria, seguirá a publicação de um livro que narra e documenta a história de outra ideia pioneira, transformada em realidade institucional, que a partir do interesse científico pela teoria das Representações Sociais tomou um impulso vital: o European Ph.D. on Social Representations and Communication, o primeiro doutorado internacional conjunto formalmente reconhecido, uma forte contribuição ao desenvolvimento e formação à pesquisa neste setor e, ao mesmo tempo, um modelo que inspirou outros doutorados internacionais em vários setores disciplinares (de Rosa, 2009b, 2009c). 50 ANOS DEPOIS: A “PSYCHANALYSE, SON IMAGE ET SON PUBLIC” NA ERA DO FACEBOOK 667 Além disso, a série prevê a publicação de livros inéditos, baseados em recentes programas de pesquisa ou originados de eventos científicos internacionais, inspirados por esta teoria em um diálogo crítico e construtivo com outros paradigmas das ciências sociais. A série multilíngue (italiano, inglês, francês) é destinada à difusão em contexto acadêmico e não acadêmico: • no mundo acadêmico os textos podem, oportunamente, ser inseridos nos programas de vários cursos universitários das Faculdades de Psicologia (entre os quais, de Psicologia Social, Atitudes e Representações Sociais, Psicologia da Comunicação) e em outros cursos das Ciências Sociais, nos vários âmbitos disciplinares nos quais o interesse por pesquisas inspiradas na teoria das representações sociais é amplamente difundido: da psicologia social à sociologia, das ciências da comunicação à antropologia, da história da ciência à linguística, etc.). Eles também são destinados a doutorandos, pesquisadores e estudiosos interessados em setores específicos de investigação nas diversas áreas temáticas concernentes aos mais variados objetos de pesquisa, nos âmbitos das ciências da saúde e da medicina, da educação e da comunicação, dos estudos ambientais e de marketing etc. ANNAMARIA SILVANA DE ROSA 668 • no mundo profissional alguns textos, em função da sua especificidade temática, podem ser destinados também a um público-alvo de leitores especialistas em vários âmbitos aplicativos, cuja compreensão dos processos simbólicos de construção do conhecimento social seja relevante para o exercício da profissão (da comunicação política à assistência sanitária, da arquitetura à urbanística, do turismo à economia etc.). Evidentemente, os textos em italiano serão destinados à sua difusão no contexto prevalente da Itália, enquanto que os textos em inglês e/ou francês terão uma disseminação em escala internacional. 50 ANOS DEPOIS: A “PSYCHANALYSE, SON IMAGE ET SON PUBLIC” NA ERA DO FACEBOOK 669 Os novos nascimentos sob a vertente da pesquisa Sob a vertente da pesquisa, estamos muito felizes em anunciar o início de um novo programa de pesquisa – entre os tantos ativos em vários âmbitos temáticos – que reveste de um significado especial o contexto ritualístico e simbólico deste aniversário-batismo: o follow-up da pesquisa sobre as representações sociais da psicanálise 50 anos depois, como uma ocasião especial de estudo sobre a estabilidade e eventuais transformações das representações sociais, em face das mudanças ocorridas não somente nos três vértices do triângulo epistêmico Sujeito-Outro-Objeto, mas também no seu transformado contexto sócio-histórico e comunicativo. Em relação aos três vértices do triângulo epistêmico, basta pensar nas mudanças ocorridas: - no desenvolvimento do objeto de conhecimento-experiência (a/s psicanálise/s) em si, seja pelo efeito de evolução interna ao próprio campo específico (história do pensamento psicanalítico atualizado aos dias de hoje) e àquele mais vasto das psicoterapias de diversas orientações, seja em relação às mudanças que têm interessado a psiquiatria, de um lado pelas solicitações de revisão radical dos paradigmas nosográficos e ANNAMARIA SILVANA DE ROSA 670 custodialísticos vindos do movimento da psiquiatria comunitária e do impacto da antipsiquiatria no social e em suas instituições e, por outro, pelo grande desenvolvimento das neurociências. Ademais, no âmbito da interseção das representações, seja da psicanálise ou da psiquiatria, é constituído pelo objeto comum doença/saúde mental, cujas representações sociais foram amplamente investigadas a partir da literatura em estudos clássicos e paradigmáticos (Herzlich, 1969; Jodelet, 1985, 1986, 1989b; de Rosa, 1987b, 1991, 1995, 1997; de Rosa & Schurmans, 1990a, 1990b, 1994); - nos atores sociais (Sujeito-Objeto) que – na qualidade de indivíduos, grupos ou instituições sociais – não podem, necessariamente, ser mais os sujeitos da França dos anos 50, sendo alterados o contexto sociocultural, os seus estilos de vida, as suas práticas relativas à saúde, à doença, à terapia, a sua exposição ao conhecimentos científicos, as culturas organizativas das instituições e dos ambientes escolares e laborais nos quais estes operam etc. Psicanalistas, psiquiatras, terapeutas em formação, pacientes, mas também pessoas relativamente distantes pelo conhecimento e experiência em relação ao objeto de representação psicanálise, não são mais os mesmos dos 50 ANOS DEPOIS: A “PSYCHANALYSE, SON IMAGE ET SON PUBLIC” NA ERA DO FACEBOOK 671 anos posteriores à Segunda Guerra Mundial e os seus universos representacionais – assim como as suas relações sociais – não estão mais impregnados (ao menos, não do mesmo modo) das Weltanschauung que animavam e contrapunham grupos, instituições, partidos políticos e aparatos religiosos daquele tempo. No que se refere às mudanças no contexto sócio-histórico e comunicativo, basta pensar: - de um lado, nas profundas mudanças das visões ideológicas em relação aos anos imediatos do pós-guerra, nos quais Moscovici havia desenvolvido a sua investigação (correspondente à segunda onda de difusão da psicanálise na França), e até mesmo em relação aos quinze anos sucessivos que acrescentaram um novo capítulo à segunda edição para explicar como a propaganda comunista estava se transformando em propagação; - por outro lado, a radical evolução dos sistemas de comunicação e de utilização-construção das representações sociais, de uma época na qual a imprensa, o cinema, o rádio eram as principais mídias complementares à socialização escolástica dos ANNAMARIA SILVANA DE ROSA 672 conhecimentos, a uma época em que, à inovação midiática da televisão, adicionou-se a capacidade revolucionária da era digital: um universo em contínua expansão, que tem redefinido radicalmente a relação unidirecional remetente da mensagem – destinatário (um-muitos) na abertura de canais comunicativos interativos muitos-muitos, por sua vez, em uma contínua redefinição das fronteiras graças ao advento da era das redes sociais (nos quais a comunicação interpessoal um a um deu lugar a trocas interativas de rede com efeitos multiplicadores um-muitos ou muitos-muitos, sustentados por tecnologias que permitem conexões ubíquas). O desenvolvimento surpreendente do ambiente Internet e o aumento exponencial das capacidades e da difusão dos computadores estão delineando um cenário de construção e de troca de informações por meio de potencialidades ainda largamente inexploradas. Com crescente evidência, se está percebendo, todavia, que o impacto das novas tecnologias não pode ser considerado limitado ao, embora importante, papel da internet, nem apenas ao computador como instrumento de acesso à Rede; famílias inteiras de novas mídias eletrônicas estão estruturando ambientes comunicativos originais, em constante tensão entre 50 ANOS DEPOIS: A “PSYCHANALYSE, SON IMAGE ET SON PUBLIC” NA ERA DO FACE- 673 tendências à convergência e à integração e tendências à especialização de conteúdos e funções, provocando, por outro lado, efeitos de profunda remodulação de todo o sistema midiático (Marinelli, 2004). O discurso da mídia resulta, assim, sempre mais caracterizado pelas especificidades das novas modalidades comunicativas (Mazzara, 2008, p. 37-38). A dinâmica destas mudanças e de seus eventuais reflexos sobre a transformação nas representações sociais não deve ser compreendida como determinista, em todo caso, em uma perspectiva superada de lógica binária ambiente-indivíduo, mas sim como eventual coevolução de sistemas simbólicos e de relações sociais. Justamente pela atenção heurística dedicada à suposta coevolução das representações sociais, e dos dois fundamentais eixos de mudança de contexto sócio-histórico e comunicativo, acima mencionados, o follow-up da pesquisa ilustrada por Moscovici na sua opera prima não poderia ser reduzido a uma pura clonagem da pesquisa-mãe, mas deveria, necessariamente, contemplar a compatibilidade entre a “replicabilidade” da pesquisa originária, com extensões e introdução de elementos inovadores, que permitissem colher outras dimensões consideradas interessantes. ANNAMARIA SILVANA DE ROSA 674 Portanto, nos mobilizamos para projetar o novo desenho da investigação, nos interrogando sobre o problema teórico-metodológico de como obter empiricamente a natureza dinâmica e transformativa das representações sociais (Purkhardt, C., 1993), com todas as consequências operacionais que derivam do assim chamado “modelo toblerone” (Bauer, M. & Gaskell, G., 1999), que projeta em uma dimensão temporal diacrônica o famoso triângulo Sujeito-Objeto-Outro (S-O-O), identificando a mínima unidade de análise em um Sujeito 1 e Sujeito 2 em relação seja a um determinado objeto O ou a um projeto P, ao longo de uma determinada dimensão temporal: S-O-P-S, com um movimento de antecipação do futuro. Entre as sete implicações identificadas pela pesquisa sobre as representações sociais, as estruturas temporais e os dados longitudinais (5) mostram-se, portanto, não menos essenciais do estudo (1) dos conteúdos e processos; (2) da segmentação por ambientes sociais, ao invés de por taxonomias; (3) do desenvolvimento dos estudos no interior dos social milieus; (4) da abordagem multimétodo (já por nós teorizada, cf. de Rosa, 1987a, 1990b); (6) do cruzamento de projetos culturais e trajetórias; (7) da atitude em relação à pesquisa desinteressada. Além disso, o próprio Moscovici (cf. p. 315-316, ed. it., 2011) indicou a necessidade de uma pesquisa longitudinal, que sugeriu ao abordar o problema de como validar a hipótese sobre a natureza da 50 ANOS DEPOIS: A “PSYCHANALYSE, SON IMAGE ET SON PUBLIC” NA ERA DO FACEBOOK 675 condição que poderia dar origem à aparição da propaganda na imprensa comunista, evidenciando a existência de um conflito intragrupo, no qual o objeto do conflito poderia ameaçar a identidade do grupo e a unidade de sua representação (historicamente circunstanciado em eventos temporalmente datados). Além dos elementos de continuidade do nosso follow-up com a pesquisa-mãe, representados pela estrutura generativa do desenho da pesquisa em comum, e revelada por meio de uma reconstrução exegética de todas as perguntas formuladas na entrevista-questionário no estudo original, os principais elementos de inovação no nosso estudo são representados por: • extensão do foco da pesquisa, incluindo como objeto de representação não apenas a psicanálise e o psicanalista, mas também a psiquiatria e o psiquiatra, e o terreno comum a ambos da doença/saúde mental, adotando uma visão centrada nos sistemas de representações interrelacionados, ao invés de nos objetos isolados, e tendo em consideração os acima mencionados fatores de mudanças investidos nestes objetos de representação. A ampliação a estes sistemas de representações interrelacionados se configura particularmente interessante também por oferecer percursos de leitura sinérgicos sobre os elementos de estabilidade e mudança das ANNAMARIA SILVANA DE ROSA 676 representações sociais da doença mental em relação aos resultados das pesquisas por nós conduzidas nos anos 80 (de Rosa, 1987a, 1987b, 1988, 1991, 1995, 1997, 2009a; de Rosa & Schurmans, 1990a, 1990b, 1994) e em um follow-up conduzido há 30 anos da lei italiana nº 180, conhecida como Basaglia, sobre a desinstitucionalização dos manicômios (de Rosa & Bocci, 2012); • extensão da instrumentação metodológica, em conformidade com a abordagem modelizante que caracteriza, sistematicamente, os nossos desenhos de pesquisa multimétodo. Portanto, para poder efetuar corretamente o follow-up, tendo um consistente núcleo de elementos de similaridade, primeiramente extraímos (também com um pontual trabalho de comparação entre as edições de 1961 e de 1976) todo o desenho metodológico da pesquisa-mãe: ou seja, as perguntas que Moscovici havia utilizado como roteiro para a entrevista-questionário, as características da população, os critérios de seleção da imprensa, as modalidades de análise da mesma, as estratégias de análise dos dados etc. Todos os critérios adotados por Moscovici foram retomados mas, seja em virtude da ampliação do foco da nossa pesquisa, evidenciado nos pontos já elencados nesta seção, seja em 50 ANOS DEPOIS: A “PSYCHANALYSE, SON IMAGE ET SON PUBLIC” NA ERA DO FACEBOOK 677 função dos acima mencionados elementos de transformação supostos como significativos, ou em virtude da nossa peculiar abordagem multimétodo, previmos a introdução de outros elementos ou modalidades específicas de respostas em relação à prevista na pesquisa-mãe e de outras técnicas junto à clássica, de entrevista-questionário, tais como: a “rede associativa” (de Rosa, 2002b, 2003, 2005), com o objetivo de revelar conteúdos, estrutura e índice de polaridade do campo representacional em relação às palavras-estímulo: ‘psicanálise’, mas também ‘psiquiatria’, ‘doença’, ‘doença mental’, ‘normalidade’ e ‘desviância’; a. a “rede de identificação EU-Objetos simbólicos” (self-identification conceptual network, idealizada por de Rosa, já foi usada em vários outros programas de pesquisa (de Rosa, 2004, 2006b; de Rosa & Holman, 2011), inserindo como objeto de identificação(9) com o sujeito: psicanálise, doença mental, normalidade, psicofármacos, neurose, alívio, complexo, doença, psiquiatria, desviância, saúde mental, psicoterapia, psicose, cura, autoanálise, sofrimento; c. a “ re d e c o n c e i t u a l P s i c a n á l i s e - o b j e t o s simbólicos” e a “rede conceitual Psiquiatria-objetos simbólicos”, adaptando a tradicional técnica do conceptual network, introduzida por Verges (2001), mediante a inserção de uma palavra-chave central: no nosso estudo, seja b. ANNAMARIA SILVANA DE ROSA 678 ‘psicanálise’ ou ‘psiquiatria’ (obviamente em redes conceituais distintas), utilizando como objetos simbólicos de ligação _______________ (9) A técnica permite revelar: a) a ligação entre o Eu, colocado no centro da folha, com os objetos de identificação, sinalizados em janelas dispostas em círculo ao redor do Eu, e selecionados pelo sujeito, ao qual é solicitado a traçar tantas linhas quanto forem as ligações de identificação, seja positiva ou negativa, entre o Eu e os objetos para ele/ela significativos, esclarecendo que a ausência de linhas indica ausência de ligação significativa; b) a polaridade positiva, negativa ou neutra de cada uma destas ligações; c) a intensidade da ligação, a partir de uma escala de 1 a 5, mediante a indicação do sujeito de um número entre 1 (intensidade mínima) e 5 (intensidade máxima) sobre cada uma das linhas traçadas. potencialmente significativo(10), todos os termos extraídos da pesquisa-mãe (psicoterapia, sugestão, hipnotismo, narco-análise, confissão, conversação, ocultismo), com acréscimo de termos novos: t e o r i a d o i n consciente, neurociências, psicofarmacologia, psiquiatria (no caso do estímulo central ‘psicanálise’) e psicanálise (no caso do estímulo central ‘psiquiatra’), e também deixando quatro quadros livres para eventuais novos termos significativos adicionados pelos próprios sujeitos; d. a “rede conceitual Psicanalista-objetos simbólicos” e a “rede conceitual Psiquiatra-objetos simbólicos”, utilizando como objetos simbólicos de ligação potencialmente significativo todos os termos extraídos da pesquisa-mãe (estudioso, genitores, padre, médico, psicólogo, amigo, curandeiro, observador), com acréscimo de termos 50 ANOS DEPOIS: A “PSYCHANALYSE, SON IMAGE ET SON PUBLIC” NA ERA DO FACEBOOK 679 novos: neurocientista e psiquiatra (no caso do estímulo central ‘psicanalista’) e neurocientista e psicanalista (no caso do estímulo central ‘psiquiatra’), e também deixando quatro quadros livres para eventuais novos termos significativos adicionados pelo próprio sujeito; _______________ (10) Também neste caso, se obtém tanto a polaridade da ligação em positivo ou em negativo (neutro = ausência de ligação), quanto a intensidade sob uma escala de 1 a 5. e. identificação do vocabulário pertinente à linguagem seja psicanalítica, ou, no nosso caso, também psiquiátrica, por meio da livre hierarquização de dez termos, solicitando também a sua conotação positiva ou negativa para o próprio sujeito; f. reconhecimento dos termos concernentes à linguagem psicanalítica e, no nosso caso, também psiquiátrica, por meio de uma tabela que apresenta todos os termos presentes no estudo de Moscovici (complexo, recalque, inconsciente, libido), com o acréscimo de toda uma série de termos que não foram relevantes na pesquisa-mãe e que nos parecia importante inserir: pulsão, eros, lapsos, pré-consciente, Id, atos falhos, transferência, instinto, psicose, neurose, fobia, distúrbios antissociais, c o n s c i e n t e , t h a n a t o s , s í m b o l o , b o rd e r l i n e , ANNAMARIA SILVANA DE ROSA 680 sublimação, associações livres, Ego (Eu), sonho, conflito psíquico, identificação, esquizofrenia, projeção, problemas sexuais, psicofármacos, Super-Ego (Super-Eu), sublimação, contratransferência, condensação, paranoia, Édipo, negação, investimento, demência, castração; g. sobre a representação da psicanálise (e, no nosso estudo, também da psiquiatria), além das alternativas possíveis da pesquisa-mãe (uma doutrina filosófica, um campo teórico consolidado, uma técnica terapêutica, uma ciência em curso de elaboração), a nossa entrevista-questionário prevê ainda outras duas alternativas (uma mistificação sem nenhuma validade, uma disciplina superada pelos progressos das neurociências), e a possibilidade de respostas livres por parte dos sujeitos; h. conhecimento da psicanálise e da psiquiatria, por meio de toda uma série de perguntas abertas acerca dos propósitos das duas disciplinas, eventuais diferenças entre as mesmas (pergunta que evidentemente não estava prevista na pesquisa-mãe focalizada, exclusivamente, sobre a psicanálise), datação histórica do nascimento das duas disciplinas, 50 ANOS DEPOIS: A “PSYCHANALYSE, SON IMAGE ET SON PUBLIC” NA ERA DO FACEBOOK 681 os nomes de seus fundadores (com uma questão adicional em relação aos nomes dos psicanalistas e psiquiatras famosos); i. avaliação da difusão das duas disciplinas em vários âmbitos (família, círculo de amigos e conhecidos, sociedade) temporalmente contextualizada não somente em relação há dez anos (como na pesquisa-mãe, mas também em relação há 50 anos e em relação à projeção do futuro: daqui a dez anos e daqui a 50 anos), disposição para recorrer ao recurso (pessoalmente e/ou para os próprios filhos), campos de aplicações (no campo judiciário para condutas delinquentes, reabilitação, na orientação profissional, e em outros âmbitos específicos), transformando em escala de 0 a 5 as respostas da pesquisa-mãe e deixando sempre a possibilidade de adicionar novas respostas nos campos livres; identificação das causas da difusão da psicanálise (e da psiquiatria), retomando neste caso as clássicas respostas emergidas do estudo originário (necessidades individuais, necessidades sociais, influência da cultura americana, moda e publicidade, valor científico e ANNAMARIA SILVANA DE ROSA 682 eficácia), mas deixando, como nos outros casos, também espaço para ulteriores respostas livres; j. atitude em relação às duas disciplinas, obtida mediante declaração de ser favorável/desfavorável, com suas respectivas justificativas; k. representações do psicanalista e, no nosso caso, também do psiquiatra, em relação à influência eventualmente exercida pela sua idade, pelo seu gênero, pelo seu perfil imaginário; l. representações do tratamento psicanalítico (e, no nosso caso, também do psiquiátrico) em relação aos fatores que induziriam a segui-lo pessoalmente; à representação da sua duração, inserindo outras alternativas às já indicadas na pesquisa-mãe (poucos meses, 1-2 anos, mais de 2 anos), ligeiramente reformuladas no intervalo temporal (até 1 ano; de 2 a 3anos de 2 a 5 anos); à frequência das sessões (questão não prevista no estudo originário); os possíveis destinatários; m. as eventuais relações da psicanálise (e também da psiquiatria) com a sexualidade; com a religião, com a orientação política/ideológica; 50 ANOS DEPOIS: A “PSYCHANALYSE, SON IMAGE ET SON PUBLIC” NA ERA DO FACEBOOK 683 n. as situações que sugerem a oportunidade de submeter-se a um tratamento psicanalítico (e psiquiátrico), acrescentando outros fatores aos emergidos da pesquisa-mãe (traumas infantis, fracasso social, fracasso familiar, desajuste) também fatores de tipo físico-orgânico (déficit cognitivo ou retardos mentais, doenças ou disfunções cerebrais, d o e n ç a s o u d i s t ú r b i o s f í s i c o s ) , s o b re t u d o considerando, de um lado, a exigência de identificar eventuais diferenciações com a psiquiatria e, de outro, a eventual reorientação biologística pelo grande impulso das neurociências nas últimas décadas; a idade recomendada para um tratamento psicanalítico (e psiquiátrico), inserindo algumas classes de idade para todo o ciclo de vida, desde a primeira infância até a velhice (enquanto que as alternativas de respostas da pesquisa-mãe se limitavam às categorias: infância, adolescência, entre 20 e 30 anos e maturidade); o tipo de personalidade (forte, frágil, sem importância) idônea para recorrer a um tratamento psicanalítico (e psiquiátrico); o tipo de influência que poderia exercer a psicanálise (e a ANNAMARIA SILVANA DE ROSA 684 psiquiatria) sobre os pacientes (ajuda, risco, outros) com a solicitação das respectivas justificativas; o. a representação do tipo de comunicação entre o paciente e o psicanalista (e também o psiquiatra), inserindo, além das categorias de respostas identificadas na pesquisa-mãe (contar os próprios sonhos, responder às perguntas do psicanalista/psiquiatra, dizer aquilo que passa pela cabeça) também opções, tais como: contar recordações da infância, falar dos próprios sintomas físicos, expor os próprios delírios, comunicar distúrbios da memória, outros); e daquilo que o psicanalista (e psiquiatra) deveria comunicar ao paciente: representação do seu tipo de relação, adicionando às categorias de resposta consideradas da pesquisa-mãe (afetiva, intelectiva, neutra) também as opções: espiritual, sexual; avaliação do envolvimento no tratamento pela parte do psicanalista (e do psiquiatra) e do paciente (seja em referência aos dois sujeitos da díade terapêutica, seja em relação à medida de tal envolvimento avaliado sob uma escala de 10 pontos); avaliação do percentual presumido (ao invés de uma simples 50 ANOS DEPOIS: A “PSYCHANALYSE, SON IMAGE ET SON PUBLIC” NA ERA DO FACEBOOK 685 resposta alternativa como na pesquisa-mãe) de pessoas que aderem ao tratamento psicanalítico e ao psiquiátrico, em relação ao seu gênero sexual, à sua faixa etária, às categorias sociais (retomando as opções clássicas da pesquisa-mãe: gente rica, artistas, intelectuais, gente de classe média); informações sobre as fontes de conhecimento seja da psicanálise ou da psiquiatria, ampliando notavelmente a gama prevista por Moscovici na pesquisa-mãe, que era limitada a: literatura, espetáculos, rádio, imprensa, parentes, amigos, conhecidos, inserindo outras referências (romances, revistas especializadas, TV, cinema), mas também os novos ambientes digitais: Facebook, Wikipedia, YouTube, Twitter, Yahoo Answer, Siti web, forum (também pedindo os links precisos e os títulos, no caso da mídia impressa), e outras categorias sociais: médicos, psicólogos psicoterapeutas, psicanalistas, psiquiatras. p. extensão da população aos ‘profissionais em formação’ (em psicanálise, psiquiatria, psicologia, psicoterapia) e aos ‘profissionais’ (psicanalistas, mas também psicólogos, psicoterapeutas com diferentes orientações, e psiquiatras), preenchendo uma lacuna da qual, seja Lagache(11) no Prefácio da Opera Prima, seja Moscovici, em nota às suas Observações Preliminares, lamentaram esta carência no estudo original, cumprimentando-nos por não ter q. ANNAMARIA SILVANA DE ROSA 686 que sofrer o mesmo desapontamento do jovem Moscovici diante da indisponibilidade dos próprios psicanalistas colaborar com a pesquisa. Esta extensão não se limita apenas ao acréscimo de novos segmentos da população (além daqueles selecionados de acordo com as categorias previstas no estudo originário), mas também de uma série de perguntas destinadas a identificar – também as representações dos psicanalistas, psicoterapeutas e psiquiatras em relação à psicanálise e à psiquiatria – as metarepresentações sobre os próprios objetos, evocadas colocando-os na pele de seus pacientes; _______________ (11) “Entre os grupos de participantes da pesquisa, não teve, infelizmente, qualquer grupo composto por psicanalistas, os quais poderiam fornecer esclarecimentos sobre como seus pacientes, no transcorrer da cura, representam a psicanálise e sobre suas expectativas. Alguns psicanalistas foram convidados, mas poucos responderam para que se pudesse tirar conclusões coerentes.” (Lagache, 1961/1976, cf. p. 91, edição italiana 2011). “Queria que a minha pesquisa tivesse tido uma investigação sobre um grupo de psicanalistas. A escassa colaboração que encontrei tornou inútil cada esforço neste sentido. Ainda que não se considerem capazes de explicar a expansão de seu saber ou de suas práticas, os psicanalistas não se reconhecem como tendo deveres ou responsabilidades em relação ao desenvolvimento de sua ciência em meio à coletividade.” (Moscovici, 1976, cf. p. 110, ed. italiana 2011). extensão a dois contextos culturais: Itália(12) e França(13), contextos recentemente atravessados por ondas de acesos debates sobre a validade científica da psicanálise que, em certa medida e de formas diversas, ultrapassaram o círculo restrito dos especialistas por interessar ao grande público: basta pensar no reflexo, na Itália, de livros como ‘Il caso Marilyn M. e altri disastri della psicoanalisi’, de um acadêmico como Mecacci (2000) e, na França, no caso do anti-acadêmico Onfray (2010, divulgado r. 50 ANOS DEPOIS: A “PSYCHANALYSE, SON IMAGE ET SON PUBLIC” NA ERA DO FACEBOOK 687 também na Itália em abril de 2011) pela ressonância midiática de seu livro ‘Le crépuscole d’une idole. L’affabulation freudienne’, que reacendeu as polêmicas já desencadeadas pela publicação de ‘Le livre noir de la psychanalyse’, organizado por Catherin Meyer (2005), reeditado em 2010 em versão ampliada com o subtítulo ‘Vivre, penser e t a l l e r m i e u x s a n s F re u d ’ . E s t e s l i v r o s provocaram o _______________ (12) Veja Anexo C (13) A pesquisa conta (no que se refere ao contexto italiano) com a colaboração do Dr. Emanuele Fino, European PhD on Social Representations and Communication research trainee, assistido por numerosos graduandos das Cattedre di Atteggiamenti e Rappresentazioni Sociali e di Psicologia della Comunicazione e Nuovi Media da Faculdade de Medicina e de Psicologia da Universidade Sapienza de Roma. 3- Em relação ao contexto francês, o programa de pesquisa tem sido conduzido com a colaboração da Dra. Charline Leblanc-Barriac, doutora de pesquisa em Information and Communication Science junto à Universidade de Nice-Sophia Antipolis, de 2010-2011 inscrita no European PhD on Social Representations and Communication coordenado pela Universidade Sapienza de Roma, assistido por numerosos graduandos das Cattedre di Atteggiamenti e Rappresentazioni Sociali e di Psicologia della Comunicazione e Nuovi Media da Faculdade de Medicina e de Psicolo4- gia da Universidade Sapienza de Roma, selecionados como bolsistas Erasmus durante o biênio 2011-2012 para estágio de mobilidade junto a várias universidades francesas. contrataque dos psicanalistas, em obras como “Un livre blanc pour la psychanalyse”, de Pascal Hachet (2006), que reúne uma série de trabalhos psicanalíticos publicados entre 1990 e 2005, organizados segundo o critério alfabético por tema e por autores, ou como “Mais pourquoi tant de haine?”, apresentado na capa do livro como resposta ao “affabulation d’Onfray” pela psicanalista acadêmica Elisabeth Roudinesco (2010) – autora, ANNAMARIA SILVANA DE ROSA 688 entre outros, da respeitável e renovada edição da “Histoire de la psychanalyse en France - Jacques Lacan” (2009); extensão do sistema das mídias, pela análise exclusiva da imprensa (como mídia tradicional, que também foi incluída no nosso desenho de pesquisa) aos vários ambientes das new media consideradas de extremo interesse psicossocial no cenário atual de uma sociedade baseada em “networks” (Boyd & Ellison, 2007; Castells, 1996, 2000, 2001, et al., 2007; Garton, Haythor nthwaite & Wellman, 1999; Jankowski, 2002; Keen 2007; Knox, Savage & Harvey, 2006; Lévy, 1996, 1997, 2000, 2002; Lievrouw & Livingstone (Eds.), 2002; Tapscott & Williams, 2006; Van DiJk, 1999). Em particular, a pesquisa leva em consideração alguns dos ambientes mais populares das redes sociais(14): Facebook, Twitter, Yahoo! Answers, que têm características agregadoras e comunicativas, diferenciadas por modalidades de afiliação e segmentação dos membros, por restrições no comprimento da mensagem, por contexto semântico e por expressivi_______________ s. (14) Ver Anexo D dade emotiva, orientados pelo tipo de afiliação e pela natureza social da rede(15) específica. Portanto, o escopo é também o de investigar eventuais diferenças nas representações sociais coconstruídas e/ou veiculadas a estas redes sociais em função de diferenças entre as plataformas. As palavras-chaves utilizadas para a pesquisa, mediante o mecanismo de busca que orienta a seleção, são as mesmas utilizadas 50 ANOS DEPOIS: A “PSYCHANALYSE, SON IMAGE ET SON PUBLIC” NA ERA DO FACEBOOK 689 no instrumento multimétodo preparado para a coleta dos dados sobre os vários grupos de populações: psicanálise, psiquiatria, psicanalista, psiquiatra, doença mental e saúde mental. Um posterior desenvolvimento da investigação, já previsto, levará em consideração, também, os vídeos multimídias lançados no YouTube (o segundo mecanismo de busca mais difundido no mundo, depois do Google). Estes constituem uma importante fonte de atualização, tendo em vista a relevância por eles adquirida no cenário atual das novas tecnologias digitais em relação a uma linha de estudo que – embora não estritamente referente à teoria das representações sociais – investigou a imagem da psicanálise e/ou da psiquiatria no cinema (Gabbard & Gabbard, 1999; Metz, 1977; Orchowski, Spickard & McNamara, 2006; Schneider, 1999). __________ (15) A exploração destes ambientes em uma pesquisa de psicologia social do turismo, destinada a comparar as representações dos visitantes anteriores com potenciais primeiros visitantes de capitais históricas europeias entre os membros de duas redes sociais, nos conduziu a observações preliminares acerca da diferença entre as duas plataformas (Facebook e Yahoo Answers): no caso do Facebook, mostrando a prevalência dos aspectos emocionais relativos às viagens e aos lugares entre os visitantes anteriores pertencentes ao Facebook e compartilhando com os potenciais primeiros visitantes as suas experiências mais afetivas sobre os lugares. Diferentemente, nas conversações dos membros conectados por meio do Yahoo Answers, prevalece o caráter informativo e a tendência a fornecer informações detalhadas e práticas acerca da cidade-destino turística, como um modo de compartilhar com os potenciais futuros visitantes os seus mapas representacionais das cidades visitadas (de Rosa, no prelo b). Sobre mais detalhes deste novo programa de pesquisa – finalizado no que se refere aos aspectos projetuais e de modelagem metodológica, está atualmente em plena operatividade executiva – indicamos alguns trabalhos ainda no prelo (de Rosa, 2011a, 2011b) e futuras publicações para ilustrar alguns resultados obtidos. Aqui nos limitamos a destacar alguns elementos de particular interesse para o ANNAMARIA SILVANA DE ROSA 690 estabelecimento de novas linhas de investigação, como perspectiva para os pesquisadores que pretendem desenvolver a teoria das representações sociais, tendo em vista as profundas transformações ocorridas no sistema das mídias e das comunicações e, portanto, das relações sociais. Como discutido anteriormente (de Rosa, 2010; 2011b, 2012b), em pesquisas sobre as representações sociais baseadas nas conversações entre membros de redes sociais, são altamente informativas pela perspectiva ecológica e não intrusiva da pesquisa em contextos naturais (embora neste caso se trate de ambientes virtuais on-line). Uma abordagem psicossocial e interessada também nos aspectos semânticos (e não somente na estrutura formal das relações) das redes sociais, para capturar e analisar os fragmentos significativos de conversações coproduzidas durante as interações on-line dos seus membros, permite ir além do atual estado da arte, desenvolvido sob a influência da sociologia, da matemática e das ciências computacionais no campo da análise de redes sociais (sigla em inglês, SNA), para estudar a estrutura social (Corbisiero, 2007; Furth, 2010). A pesquisa destinada a identificar as representações sociais nas trocas interpessoais ocorridas nas redes sociais é ainda mais interessante, se considera-se que a comunicação interpessoal e, sobretudo, o boca a boca (word of mouth), em muitos estudos na linha da communcation research, tornou-se a fonte mais influente entre os vários recursos de conhecimento à disposição das 50 ANOS DEPOIS: A “PSYCHANALYSE, SON IMAGE ET SON PUBLIC” NA ERA DO FACEBOOK 691 pessoas(16) (livros escolares, literatura, filmes, canções, internet, imprensa, documentários, etc.). Em relação à relevância social das redes sociais por nós selecionadas, basta considerar estes dados (suscetíveis de atualizações diárias) suficientes para expressar o interesse de se começar uma pesquisa sobre as representações sociais nestes ambientes, que acompanham e, em grande parte, substituíram os lugares de encontro tradicionais como os cafés, considerados por Moscovici verdadeiros laboratórios sociais de elaboração e trocas da thinking society. A transformação estrutural observada nos últimos vinte anos nas redes sociais consiste na passagem do modo tradicional de telecomunicação, usado para conectar pessoas fisicamente separadas umas das outras, ao novo modelo da ‘presença conectada’ (‘connected presence’) e, portanto, de mútua acessibilidade quase permanente e instantânea (Castells, Fernandez-Ardevol, Qiu & Sey, 2007). “Neste novo modo, as pessoas são acessíveis telefonicamente, ‘SMSed’, vistas, contatadas por e-mail de maneiras alternativas e pequenos gestos ou sinais de atenção são tão importantes quanto o conteúdo da própria mensagem” (Licoppe & Smoreda, 2005, p. 317). _______________ (16) Por exemplo, em pesquisas que analisavam, entre outros, a influência de diversas fontes relativas à escolha por parte dos turistas primeiro-visitantes das cidades de destino de suas viagens (cf. de Rosa, 2012b). Alguns dados essenciais – extraídos de várias fontes(17) - atestam a velocidade de difusão e o crescimento exponencial das redes sociais(18), que já tem ultrapassado a pornografia como primeira atividade na web, com 96% dos baby boomers que em 2010 aderiram a uma rede social: ANNAMARIA SILVANA DE ROSA 692 Facebook (19)(ativado em fevereiro de 2004) registrou 100 milhões de usuários em menos de nove meses, com um grande percentual de crescimento de 8% registrado nos primeiros três meses de 2011, dado ainda mais impressionante se o confrontamos com o tempo necessário para a difusão entre 50 milhões de usuários de outras mídias (38 anos para a rádio, 13 anos para a televisão, três anos para o Ipod). Facebook atualmente (março de 2011) conta com mais de 500 milhões de usuários ativos em todo o mundo, com um crescimento de 40% em seis meses em 2010; existe em cerca de 100 versões linguísticas; 200 milhões de usuários o acessam através de dis-positivos móveis; 83% das companhias utilizam o Facebook. Se o Facebook fosse um país, seria o quarto país mais populoso do mundo. Apenas nos primeiros três primeiros meses de 2011, os membros do Facebook gastaram 32.055.000 minutos _______________ a) (17) Entre os numerosos vídeos disponíveis no YouTube sobre o tema, destacamos: a) “Welcome to the social media revolution” http://www.youtube.com/watch?v=98iZlrtXfOk&feature=related (criado em 19 de fevereiro de 2010, acessado em 28 de março de 2011); b) “Social Media Statistic & Facts 2010”, criado em 3 de maio de 2010 por Box Hill Instituto de Melbourne na Austrália, disponível por meio do link: http://www.youtube.com/watch?v=gQ0wFqNfu7A&feature=related; c) “Social media revolution 2010” criado em 4 de maio de 2010, disponível pelo link http://www.youtube.com/watch?v=NB_P-_NUdLw&NR=1. (18) Entre os numerosos vídeos disponíveis no YouTube sobre o tema, destacamos: a) “Welcome to the social media revolution” http://www.youtube.com/watch?v=98iZlrtXfOk&feature=related (criado em 19 de fevereiro de 2010, acessado em 28 de março de 2011); b) “Social Media Statistic & Facts 2010”, criado em 3 de maio de 2010 por Box Hill Instituto de Melbourne na Austrália, disponível por meio do link: http://www.youtube.com/watch?v=gQ0wFqNfu7A&feature=related; c) “Social media revolution 2010” criado em 4 de maio de 2010, disponível pelo link http://www.youtube.com/watch?v=NB_P-_NUdLw&NR=1. ( 1 9 ) F o n t e s o fic i a i s F a c e b o o k © 2 0 1 1 , d i s p o n í v e l p e l o l i n k https://www.facebook.com/press/info.php?statistics. Cf. Também as infographics do serviço de Web Analytics Alexa Internet, disponível pelo link http://www.alexa.com/siteinfo/facebook.com de conexão nesta rede social. De acordo com estimativas apresentadas pelo Box Hill Institute de Melbourne, em 2010 um usuário médio do Facebook gastava 55 minutos por dia neste 50 ANOS DEPOIS: A “PSYCHANALYSE, SON IMAGE ET SON PUBLIC” NA ERA DO FACEBOOK 693 sítio, 6,5 horas por semana e 1,20 dias ao mês. As estimativas, atualmente disponíveis, relativas à proporção de usuários na I t á l i a e n a F r a n ç a , c o n fir m a m u m m o n t a n t e d e , aproximadamente, 18 milhões em cada um dos dois países (7,2% do tráfego total do sítio), assumindo, em ambos os casos, o segundo lugar no Ranking Facebook.com’s Regional Traffic de Alexa Internet; b) Twitter (20)(ativado em 15 de julho de 2006) registrou um crescimento do número de usuários de 50 mil, em 2007, para 175 milhões, em 2010, e, de acordo com análises mais recentes, até o final de 2011 estima-se que este número chegue a 200 milhões. Cerca de duas a três contas de twitter são ativadas a cada segundo; 65 milhões de tweets por dia; 41% de empresários consideram Twitter um bom negócio para as suas empresas. Um em cada cinco norte-americanos usa Twitter ou similares para falar dos lugares onde gosta de comer, dos produtos que comprou, das noticias etc. 80% dos usuários se conectam por meio de telefone celular. As estimativas, atualmente disponíveis, relativas à proporção de usuários na Itália e na França, informam o número de cerca de um milhão e meio de contas em cada um dos dois países (4% do tráfego total do sítio), ocupando, respectivamente, o décimo quinto e décimo sexto lugar no Ranking Twitter.com’s Regional Traffic de Alexa Internet; _______________ (20) Fontes oficiais Twitter © 2011, disponíveis pelo link https://twitter.com/about. Ver também Costolo, D. (2010). A Conversation with Dick Costolo, CEO, Twitter. Apresentado no Conversational Media Summit, New York, 8 de junho de 2010, disponível pelo http://cmsummit.com/Gallery e as infographics do serviço de Web Analytics Alexa Internet, disponíveis pelo link http://www.alexa.com/siteinfo/twitter.com. c) Yahoo! Answers(21) é um serviço lançado pelo Yahoo! em julho de 2005, que conta atualmente com cerca de 250 milhões ANNAMARIA SILVANA DE ROSA 694 de usuários em todo o mundo e um número de thread estimado acima dos 500 milhões. As estimativas relativas à proporção de usuários na Itália e na França confirmam um acúmulo, respectivamente, de cerca de 17 e 7,5 milhões usuários (9,8% do tráfego total do sítio). A relevância das redes sociais, contudo, não se refere apenas ao efeito “bola de neve” da sua difusão incremental entre os usuários, mas também ao tipo de relações sociais que se estruturam no seu interior e, sobretudo, o efeito de ‘familiaridade’ que se cria entre seus membros e o tipo de ‘confiança’ que esta tende a gerar no círculo do “small world phenomenon” (e do mundo que se torna pequeno graças à cadeia social de conhecidos: os amigos dos amigos dos amigos…). Segundo Ivana Marcová (2009, p. 239), na comunicação cotidiana a dimensão da confiança/desconfiança – além de ser ela mesma um objeto de representação social e, portanto, um conceito multifacetado e historicamente mutável – “pode ser considerada como um thema, ou uma categoria relacional e opositiva fundamental”, uma espécie de pré-requisito para a troca e a produção das representações sociais. Neste sentido, a confiança refere-se a todas as _______________ ( 2 1 ) F o n t e s o fic i a i s © Ya h o o , d i s p o n í v e i s p e l o l i n k http://yanswersblog.com/index.php/archives/tag/yahoo-answers/. Ver Adamic, A. Zhang, J. Bakshy, E. & Ackerman, M. S. Knowledge Sharing and Yahoo Answers: Everyone Knows Something. Proceeding of the 17th international conference on World Wide Web, 2008, pp. 665-674, disponível pelo link http://delivery.acm.org/10.1145/1370000/1367587/p665-damic.pdf?key1=1367587&key2=6 202941031&coll=DL&dl=ACM&ip=151.100.126.9&CFID=14273330&CFTOKEN=64976466. Cf. também o Site profile for Yahoo! Answers, Doubleclick AD Planner by Google, disponível pelo link https://www.google.com/adplanner/site_profile#siteDetails?identifier=answers.yahoo.com 50 ANOS DEPOIS: A “PSYCHANALYSE, SON IMAGE ET SON PUBLIC” NA ERA DO FACEBOOK 695 relações sociais (e não somente às afetivas primárias mãe-criança), sejam elas assimétricas e definidas por papeis profissionais (ex.: médico-paciente) ou comerciais (vendedor-cliente), que simétricas (ex.: relações de amizade), incluindo as relações destinadas à troca de conhecimentos. A passagem fundamental, em relação aos temas tratados por Moscovici na pesquisa fundadora da teoria das representações sociais, e que nós nos propomos a reatualizar à luz das profundas mudanças ocorridas nos três ápices do triângulo epistêmico e nos sistemas de comunicação que in-formam (no sentido de dar ‘dar forma a’) as suas relações recíprocas, é entender em que medida o advento da sociedade em rede esteja redefinindo as tradicionais relações, seja nas e entre as comunidades científicas, seja nas e entre as mais amplas comunidades epistêmicas, que se encontram, além de nos tradicionais cafés, nas redes sociais. Os sociólogos da ciência lançaram luz sobre a evolução do modo de comunicar a ciência e o advento de uma ciência 2.0 em uma sociedade 2.0 (tomando emprestada a analogia da evolução da Internet da Web 1.0 a Web 2.0). A configuração da ciência contemporânea parece afastar-se da ‘grande ciência’ acadêmica, cujo modelo, por excelência, é o da física e dos grandes laboratórios que conduzem experimentos sobre partículas elementares, que demandavam enormes aceleradores e, portanto, grandes investimentos financeiros, vastos acordos de colaborações ANNAMARIA SILVANA DE ROSA 696 internacionais, e uma sólida relação de confiança entre poder político e um restrito círculo de especialistas. Se a ciência 1.0 se institucionalizou e se desenvolveu justamente graças à crescente especialização setorial, um elemento que qualifica, em diferentes níveis, a ciência 2.0 ou pós-acadêmica é a sua tendência de colocar em discussão os limites: em primeiro lugar os tradicionais limites entre a pesquisa de base, pesquisa aplicada e a sua implementação tecnológica (…). (…) a ciência pós-acadêmica interpreta, de modo ainda mais peculiar, esta vocação. Por um lado, de fato, o desenvolvimento das tecnologias da comunicação incidiu p ro f u n d a m e n t e s o b re a s p r á t i c a s d a p e s q u i s a , enfraquecendo ainda mais os vínculos espaciais na colaboração entre grupos de pesquisa e favorecendo a subdivisão de atividades diferentemente complexas ou o monitoramento contínuo de longos experimentos. O laboratório, que sustentava e encarnava a ciência acadêmica também do ponto de vista arquitetônico – ao ponto que a construção de um laboratório, historicamente, marcava a institucionalização de um território intelectual e a sua independência disciplinar (Home, 1993) –, em muitos setores desmaterializou-se parcialmente em favor de redes 50 ANOS DEPOIS: A “PSYCHANALYSE, SON IMAGE ET SON PUBLIC” NA ERA DO FACEBOOK 697 e conexões que não requerem necessariamente a presença física dos pesquisadores em um mesmo lugar. Este enfraquecimento dos vínculos espaciais reflete-se em dinâmicas que reproduzem, em escala menor, os mais amplos processos socioeconômicos da globalização. (Bucchi, 2010, pp. 177-8; 180). Mas se a análise dos processos de transformação das modalidades de elaboração, produção e troca científica conduz Bucchi a se interrogar se “é possível ainda falar de comunidade científica?”, por volta de dez anos antes Nowotny, Scott e Gibbons revelavam que “ciência e sociedade tornaram-se arenas que se confundem uma com a outra” (Nowotny, Scott & Gibbons, 2001, p.4), produzindo uma espécie de “distribuição social de expertise” e de “sistema integrado ciência-sociedade”, onde os aspectos de autoridade cognoscitiva não podem mais ser dados como certos, mas devem ser continuamente demonstrados e onde a formulação dos problemas e a negociação das soluções se deslocam dos contextos institucionais do passado – o governo, a indústria e as universidades – “em um espaço público” que os autores denominam “ágora”, no qual a ciência encontra o ANNAMARIA SILVANA DE ROSA 698 público e o público fala à ciência (Nowotny, Scott & Gibbons, 2001, p. 247 citado por Bucchi, 2010, p. 186). Existem obviamente pontos de vista controversos entre os estudiosos em relação aos processos de democratização da ciência, também por efeito das novas tecnologias. Manuel Castells (1996, 2000 2a ed.) lançou luz, por exemplo, sobre como o fluxo do poder tinha sido redefinido pelo poder dos fluxos, e como o controle e a acessibilidade aos fluxos informativos seja distribuído e concentrado de maneira completamente heterogênea nas várias áreas do mundo, configurando novos equilíbrios geopolíticos sobre a base dos novos mapas geoinformáticos da galáxia internet. Todavia, é certo que a relação entre a ciência e a sociedade, e de ambas com as mídias tenha mudado profundamente. A ciência acadêmica 1.0 esnobava as mídias: as considerava um péssimo embaixador das verdadeiras ideias junto ao grande público, um “espelho sujo” responsável por refletir uma imagem opaca e distorcida da pesquisa. Liquidava a comunicação aos não especialistas com o epíteto significativamente depreciativo de “divulgação” (…) A ciência 2.0, pelo contrário, identifica nas mídias um interlocutor sempre mais central. Quer por uma 50 ANOS DEPOIS: A “PSYCHANALYSE, SON IMAGE ET SON PUBLIC” NA ERA DO FACEBOOK 699 confiança equivocada na eficácia da comunicação para sanar o déficit do public understanding of science, quer por uma osmose de modelos organizativos devido às crescentes interações com o mundo empresarial, quer por uma constatação de que gozar de uma boa visibilidade midiática constitui um elemento ao qual os agentes políticos e mesmo os investidores financeiros são sempre mais sensíveis, fato que não há universidade ou instituto de pesquisa que não disponham de serviços e equipes encarregados das relações públicas, e que não organizem conferências de imprensa para apresentar as próprias atividades mais significativas (Bucchi, 2010, pp. 173-174). E ainda: A tradicional sequência linear “pesquisa --- discussão informal entre os colegas — publicação especialista oficial — comunicação aos policy makers — absorção e estabilização no corpus disciplinar por meio da manualística --- divulgação ao grande público”, que havia caracterizado a comunicação da ciência até todo o período da big science, é continuamente fragmentada e recomposta. Semelhantes transformações são acentuadas pela difusão dos novos meios de comunicação eletrônicos. A web, tipicamente, infringe aquela ordem sequencial e a obtida de ANNAMARIA SILVANA DE ROSA 700 uma série de “filtros”, que no passado contradistinguiam o percurso dos resultados científicos dos pesquisadores ao grande público, por meio de uma série de fóruns especialistas. Uma pesquisa no Google sobre “aplicações das nanotecnologias” fornece, simultaneamente, desde a primeira página, artigos especializados, publicidade comercial, documentos de policy, opiniões entusiastas sobre o futuro das nanotecnologias e preocupações por a l g u m a s d e s u a s i m p l i c a ç õ e s ( Tr e n c h , 2 0 0 8 ) . Inscrevendo-se em grupos de discussões ou mailing list, é possível a qualquer um encontrar-se em meio às controvérsias entre especialistas, há um tempo cuidadosamente vetadas aos não-especialistas, ou ter acesso, sobre determinado tema (por exemplo, os OGM), tanto às posições dos cientistas mais ‘ortodoxos’ quando àquelas dos mais céticos. As motivações acima descritas em relação ao open access às publicações especializadas contribuem para colocar à disposição dos não-especialistas – pacientes, empresas – materiais há um tempo acessíveis apenas por meio de bibliotecas de determinadas instituições. Mesmo a capacidade do peer review de atuar como filtro comunicativo entra em discussão, no momento em que o contexto altamente competitivo da ciência pós-acadêmica se une a mídias que possibilitam uma proliferação e uma rápida difusão de conteúdos comunicativos multidirecionais e transversais 50 ANOS DEPOIS: A “PSYCHANALYSE, SON IMAGE ET SON PUBLIC” NA ERA DO FACEBOOK 701 em relação aos fóruns tradicionais (Bucchi, 2010, pp. 175-176). Wikipédia não é a Treccani e nunca o será, pelo menos, não até que seja verificado que o controle social da credibilidade das informações, entre a minoria dos contribuidores ativos em relação à grande maioria dos leitores, tenha equilibrado a relação entre qualidade e quantidade das informações inseridas na rede. De fato, esta enorme enciclopédia universal on-line, acessível a todos gratuitamente, responde à lógica de “tornar simples corrigir os erros, mais do que tornar difícil cometê-los”: isto é, a filosofia oposta àquela que inspira as grandes Enciclopédias (como a Treccani, na Itália), escritas por poucos (uma restritíssima minoria de especialistas), mas também lidas por um número relativamente restrito de leitores. Em 2010 Wikipédia contava com mais de 14 milhões de artigos escritos por 75.000 contribuidores em 260 línguas, visualizados por 684 milhões de usuários. Se poderia argumentar que também a Treccani e a sua utilização não sejam mais as mesmas na era da Wikipédia(22). _______________ (22) Desde 14 de março de 2011, de fato, La Treccani anunciou o novo Portal Treccani: h t t p : / / w w w . t r e c c a n i . i t / , c o m C o m m u n i t y. P o r m e i o d e s t e e n d e r e ç o http://www.tuttogratis.it/studenti/enciclopedia_treccani_online/ é possível acessar uma enciclopédia online completamente gratuita, organizada em torno de sete áreas temáticas. Cada palavra no interior dos textos está vinculada ao vocabulário e às enciclopédias presentes online: basta clicar duas vezes sobre o termo para encontrar sua descrição correspondente e conhecer o seu significado. Para os usuários está disponível uma barra de ferramentas para poder efetuar pesquisas por meio de palavras-chaves diretamente do browser do computador e, também através deste recurso, é possível fazer parte de uma rede social cultural que permite o melhor compartilhamento das informações obtidas. Além disso, tem uma web tv que possibilita visualizar conteúdos realmente interessantes. A confirmação da dinamicidade das trocas entre os vários universos do conhecimento e de seus porta-vozes é tão significativa que a revista norte-americana Observer, periódico oficial da Association ANNAMARIA SILVANA DE ROSA 702 for Psychological Science, dedicou um artigo (the Presidential column, assinado pelo Presidente da A.P.S., prof. Mahazarin Banaji, Harvard University), apresentando na capa o título: “Harnessing Wikipedia for scientific psychology: a call to action” [Observer, 24, (2), pp. 526], em fevereiro de 2011, e dedicando também um site à iniciativa do APS para a utilização do poder comunicativo da Wikipédia para promover um ensino de qualidade da psicologia científica: http://www.psychologicalscience.org/APSWI. Tendo em vista a nossa proposta de investigação, para atualizar a pesquisa de Moscovici sobre as representações sociais da psicanálise, devemos nos perguntar: quantas destas pessoas que falam de psicanálise leram a Opera Omnia, ou, pelo menos, algum escrito original de Freud, e quantas já esbarraram com a página da Wikipédia, por curiosidade, por acaso, intencionalmente ou graças ao input de um membro de uma rede social? E o que significa isto em relação às representações sociais desta ciência-não ciência, terapia-bruxaria, que é tão debatida de formas diversas, em tempos diversos, em contextos diversos e entre gente diversa? Como estas pessoas diversas falam sobre isso nas suas conversações com os outros membros das redes sociais? Será possível reconstruir um levantamento das relações simbólicas entre grupos sociais, sistemas de comunicação e representações sociais a partir destes novos ambientes de troca entre pessoas? Conscientes da temeridade desta nova aventura intelectual (como pode ser definida cada nova pesquisa que se assume, envolvendo pessoas, recursos, seg-mentos significativos da própria vida, etc.) no auspício de lançar um novo foco de luz sobre uma pesquisa-mãe tão fascinante e famosa que se torna quase intocável, esperamos nesta nossa tentativa audaciosa ter, ao menos, acolhido o desejo de continuidade com o qual Moscovici comenta o seu próprio trabalho no posfácio “o trabalho da ciência nunca está completo e a sua virtude reside no seu recomeçar”. 50 ANOS DEPOIS: A “PSYCHANALYSE, SON IMAGE ET SON PUBLIC” NA ERA DO FACEBOOK 703 A nossa pesquisa tem como intenção homenagear a fecundidade inspiradora da opera prima, que justamente Gerard Duveen (2008, p. XVI) assim a avaliava: É um texto clássico, mas não do tipo para se colocar nas prateleiras de uma biblioteca para consulta por parte dos interessados na história da disciplina, ainda se estes estudiosos encontrarão, certamente, neste livro uma rica fonte para a sua pesquisa. Pelo contrário, trata-se de um texto que deveria suscitar o interesse dos psicólogos sociais contemporâneos e atrair a sua atenção E também Jesuino (2011): Podemos dizer, sem hesitação, que se trata de um clássico, no sentido que a sua leitura e releitura nos oferece sempre algumas surpresas, algumas ideias, cuja pertinência tinha fugido nas vezes precedentes. Eis por que é preciso traduzi-lo e também retraduzi-lo, porque uma tradução é também uma representação, uma forma de assimilação, de ancoragem de um pensamento em outro pensamento. (p. 2) Em conformidade com o que acabamos de mencionar, no que nos diz respeito, conduziremos esta nova pesquisa com a humildade de um regente de uma notável sinfonia, que não pretende recriá-la, mas apenas renovar o gosto de reescutá-la, atualizando o seu tema com pequenas variações. ANNAMARIA SILVANA DE ROSA 704 Anexo A Inspirada na teoria das Representações Sociais, a série – organizada por de Rosa para Edizioni Unicopli, em cooperação com um conselho editorial composto por Serge Moscovici, Denise Jodelet, Bruno Mazzara, Francesco Colucci e uma comissão internacional de blind reviewers – refere-se a uma área científica interdisciplinar na qual concorrem a psicologia social (e setores a ela relacionados, como a psicologia do meio ambiente, da saúde, da educação, das organizações, da política), a sociologia, os estudos sobre a comunicação, a antropologia cultural, a história das mentalidades e dos saberes científicos etc. A série constitui um foro para discutir as interconexões entre conhecimento científico e senso comum, representações e práticas sociais, comunicação e sistema polifônico da mídia, especialmente considerando o fato de que as representações sociais se diferenciam das puras cognições, muito frequentemente estudadas como formas do pensamento culturalmente e socialmente descontextualizadas. À luz do debate científico sobre os novos cenários da comunicação e da construção social do conhecimento, esta série internacional multilíngue (prioritariamente italiano-inglês-francês) tem como objetivo responder à necessidade de investigar as representações sociais não simplesmente como sistemas de 50 ANOS DEPOIS: A “PSYCHANALYSE, SON IMAGE ET SON PUBLIC” NA ERA DO FACEBOOK 705 referência ou “discursos”, mas também como construções sociais dinâmicas que se geram, se transformam e se difundem em interação com os vários sistemas midiáticos e formas de comunicação entre indivíduos, grupos, instituições e organizações. Os fenômenos estudados, em relação às novas formas de socialização do conhecimento e às suas estratégias comunicativas nos mais diversos âmbitos (da política à saúde, do ambiente à economia, etc.) são de extrema atualidade e altamente relevantes para as políticas sociais no mundo contemporâneo. ANNAMARIA SILVANA DE ROSA 706 Anexo B Para a abordagem estrutural, a chamada Escola de Aix-en-Provence: Flament (1981, 1986, 1987, 1989, 1994a, 1994b), Abric (1976, 1993, 1994, 2003a, 2003b), Abric and Tafani (2009); Deschamps e Guimelli (2004); Guimelli (1988, 1993, 1994); Guimelli e Deschamps (2000); Guimelli e Rouquette (1992); Moliner (1989, 1994a, 1994b, 1995a, 1995b, 2001); Rateau (1995, 2002); Tafani, Audin e Apostolidis (2002); Tafani, Bellon e Apostolidis (2002). Para a abordagem sociodinâmica, a chamada Escola de Genebra: Doise (1986, 1988, 1992, 1993, 2002, 2005); Doise, Clémence e Lorenzi-Cioldi (1992); Staerklé e Clémence (2004); Spini (2005). Uma recente revisão da Escola de Genebra-Lausanne foi apresentada em Emiliani e Palmonari (2009). Para a abordagem antropológica: Jodelet (1984, 1989a, 2003); Haas (2002, 2006); Haas e Jodelet (2007); Kalampalikis (2007), e para a abordagem etnográfica: Duveen e Lloyd 1990; algumas vezes, integradas por estudos sobre representações sociais do desenvolvimento e das práticas educativas em vários contextos de aprendizagem e socialização: Mugny e Carugati (1985); Carugati e Selleri (2004); Emiliani e Molinari (1995). Para a abordagem narrativa, nas suas diversas variações com foco em atividades narrativas, discursivas, textuais ou 50 ANOS DEPOIS: A “PSYCHANALYSE, SON IMAGE ET SON PUBLIC” NA ERA DO FACEBOOK 707 conversacionais com várias abordagens, que tendem ora a valorizar as construções identitárias, ora a privilegiar as relações com a esfera pública e o contexto, ora com padrões de comportamentos coletivos: Laszlo (2002); Joffe (1995); Contarello e Volpato (2002); Jovchelovitch (2002, 2006); Purkhardt (2002); Wagner e Hayes (2005); Howarth (2006b, 2007); Colucci e Montali (2004); Montali, Colucci, Pieri (2005); também inspirada na abordagem dialógica (Marcová, 2003, 2009) ou na ‘psicologia sociocultural’, incluindo a abordagem semiótica mediacional (ver Valsiner & Rosa, 2007). Em alguns momentos, a abordagem narrativa articula-se também com a abordagem retórica (Billig, 1993) ou discursiva/conversacional (Potter & Litton, 1985; Parker & Burnan, 1993), muitas vezes sem levar em consideração os distintos princípios epistemológicos que inspiram os dois paradigmas: a análise radical do discurso e a teoria das representações sociais (ver de Rosa 1994a e 2006c sobre este debate); Abordagem multiteórica e multimétodo modelizante desenvolvida por de Rosa (1987a, 1987b, 1988, 1990a, 1990b, 1991, 1992, 1993, 1994a, 1994b, 1995, 1996, 1997, 2000a, 2001b, 2002a, 2004, 2006a, 2006b, 2006c, 2008, 2009a, 2012b; de Rosa & Farr, 2001; de Rosa & Mormino, 2000, 2002; de Rosa, d’Ambrosio & Cohen, 2005; de Rosa & Bocci, 2012; de Rosa & Holman, 2011). Esta abordagem orienta consistentemente a atividade de pesquisa ANNAMARIA SILVANA DE ROSA 708 desenvolvida junto ao European PhD on Social Representations and Communication Research Centre and Multimedia Lab (http://www.europhd.eu) (de Rosa 2000b, 2001a, 2009b). A abordagem multimétodo para o estudo das representações sociais, teorizada por de Rosa (1987a; 1990b), está amplamente difundida na literatura, seja entre aqueles que estão convencidos da oportunidade de superar a obsoleta dicotomia entre métodos quantitativos e qualitativos, ou adotam desenhos de pesquisa complexos baseados na triangulação dos métodos, seja entre os que estão interessados no estudo integrado das representações na mídia e nos sujeitos sociais: Bauer e Gaskell, Wagner, Mazzara, Camargo Vizeu, Colucci e Montali (entre outros). 50 ANOS DEPOIS: A “PSYCHANALYSE, SON IMAGE ET SON PUBLIC” NA ERA DO FACEBOOK 709 Anexo C É o p o r t u n o re s s a l t a r q u e e m u m a p e s q u i s a s o b re representações sociais, quando se introduz em seus desenhos de investigação variáveis como sujeitos pertencentes a diversas nações ou contextos sociogeográficos distintos, leva-se em consideração a sensibilidade diferenciada das orientações da psicologia cultural em relação às abordagens clássicas da psicologia cross-cultural, como tão bem evidenciou Mazzara (2007, p. 45): “(...) a abordagem cross-cultural aparece, todavia, caracterizada por uma série de dificuldades de caráter epistemológico, além de metodológico, que tornaram problemática a relação com os desenvolvimentos mais recentes da psicologia cultural. A abordagem aparece, de fato, caracterizada por uma contradição de fundo: por um lado ela exprime uma profunda atenção ao papel da cultura, e, justamente por isto, esteve desde sempre fortemente crítica em relação às tentativas de absolutizar os resultados da pesquisa psicológica conduzidas nos países ocidentais avançados; por outro lado, porém, a comparação cross-cultural é conduzida para ‘depurar’ os processos psicológicos das influências culturais, a fim de chegar a reconhecer como realmente psicológico tudo o que permanece apesar da variabilidade cultural. É como dizer que é considerado verdadeiramente ANNAMARIA SILVANA DE ROSA 710 psicológico somente aquilo que se demonstra não ser cultural; e é isto, de fato, o verdadeiro cerne da diferença entre as duas abordagens: para a psicologia cross-cultural cultura e processos psicológicos são entidades distintas, tanto que uma começa onde os outros terminam; enquanto para a psicologia cultural são entidades estritamente interconectadas, reciprocamente constitutivas”. Sobre as várias orientações da psicologia cultural, ver Valsiner & de Rosa (Eds.) (2007). Em particular, sobre a relação entre representações sociais e cultura, ver, entre outros, Jodelet (2002, 2012) e Duveen (2007). 50 ANOS DEPOIS: A “PSYCHANALYSE, SON IMAGE ET SON PUBLIC” NA ERA DO FACEBOOK 711 Anexo D A mesma definição de rede social é objeto de esclarecimentos progressivos na literatura. De acordo com Boyd & Ellison (2007, p. 2): “Definimos como sítios de redes sociais serviços baseados na web que permitem aos indivíduos: (1) construir um perfil público ou semipúblico dentro de um sistema definido, (2) articular uma lista de outros usuários com os quais compartilham conexões, e (3) ver e cruzar as suas listas de conexões e aquelas criadas pelos outros usuários dentro do sistema (…) A natureza e nomenclatura destas conexões podem variar de sítios para sítios (…) Nós propomos não usar o termo networking por duas razões: ênfase e escopo. “Networking” enfatiza o estabelecimento de uma relação, frequentemente, entre estranhos. Embora a atividade de networking seja possível nestes sítios, não é a prática principal em muitos deles, nem os diversifica de outras formas de computer - mediated – communication (CMC).” Segundo Beer (2008), na tentativa de esclarecer a definição de redes sociais, Boyd e Ellison separam ‘social networking sites’ de ‘social network sites’, mantendo o termo networking como equivocado se não aplicado àqueles sítios que possuem como razão primeira e elementar formar uma rede social. Como alternativa, Beer (2008, p. 519) propõe: “no lugar de uma visão muito genérica destes sítios, por que não usar um termo como Web 2.0 para descrever a mu- ANNAMARIA SILVANA DE ROSA 712 dança geral e depois estabelecer internamente categorias específicas, como wiki’s, folksonomies, mashups e sítios de redes sociais”. Facebook é um serviço de rede social voltado ao compartilhamento de conteúdos. Os usuários podem criar os perfis adicionando fotos, listas de interesses pessoais, informações sobre si próprios e também sobre seus contatos. É possível comunicar-se com os próprios contatos ou com outros usuários por meio de mensagens de tipo pública ou privada, um mural pessoal onde colocar conteúdos textuais ou multimídias, e um adequado serviço de Instant Messaging. É possível, também, criar grupos de interesse ou “páginas”, algumas delas, muitas vezes, mantidas por organizações, entidades ou instituições comerciais e não comerciais. Os recursos do Facebook são múltiplos: o a inscrição no sítio é completamente gratuita (Fa- cebook, na verdade, obtém seu retorno financeiro da publicidade, inclusive dos banners); o os inscritos no Facebook podem escolher inte- grar-se a uma ou mais redes, organizadas por cidades, local de trabalho, escola e religião; o os usuários podem criar um perfil que, geralmen- te, contém foto e lista de interesses pessoais, trocam mensagens privadas ou públicas e fazem parte de gru- 50 ANOS DEPOIS: A “PSYCHANALYSE, SON IMAGE ET SON PUBLIC” NA ERA DO FACEBOOK 713 pos de amigos (a visualização dos dados detalhados do perfil é restrita aos usuários da mesma rede ou de amigos confirmados); o é consentido aos usuários inserir anúncios, que são visíveis apenas aos usuários presentes na mesma rede; o inclui alguns serviços que estão disponíveis em dispo- sitivos móveis, como a possibilidade de baixar conteúdos, de receber e responder mensagens, de mandar e receber poke e escrever no mural dos usuários usando SMS, bem como a possibilidade de navegar na network; o “mini-feed”, que mostra as próprias ações e as dos amigos, em uma linha de tempo pública; o disponibilidade (a partir do outono de 2008) de um sistema de API que serve para integrar os sítios externos com a rede social. Usando Connect é possível conectar a própria conta no Facebook com o meio utilizado para inserir comentários ou artigos em um sítio externo, como, por exemplo, um blog. Na prática, é possível exportar a própria identidade Facebook, utilizando-a nos sítios que aceitam Facebook Connect. ANNAMARIA SILVANA DE ROSA 714 Twitter é um serviço gratuito de rede social e microblogging, que fornece aos seus usuários uma página pessoal possível de ser atualizada por meio de mensagens de texto com tamanho máximo de 140 caracteres. As mensagens breves postadas no Twitter podem ser mais ou menos etiquetadas, mediante o uso de uma ou mais hashtags: palavra ou frase precedida pelo símbolo # com mais palavras relacionadas, (ex.: #heineken é o meu tipo preferido de #cerveja). Desta forma, os usuários podem procurar o tag #heineken ou #cerveja para obter alguns resultados referentes às suas pesquisas. As hashtag podem ser utilizadas para seguir uma discussão entre mais usuários, encorajando ainda mais a conversação e a troca. Twitter (correspondente sonoro da palavra tweeter, deriva do verbo em inglês to tweet que significa "tagarelar") é um das redes sociais mais difundidas, graças à sua característica principal: simplicidade e rapidez de utilização. Foi criado em março de 2006 pela Obvious Corporation, de San Francisco, Califórnia (USA). Como a maior parte das redes sociais voltadas ao entretenimento, o Twitter oferece aos seus usuários uma página pessoal atualizável por meio de mensagens de texto efetuadas, ou por meio do próprio sítio, ou via SMS, com programas de mensagens instantâneas, e-mail, ou também através de várias aplicações baseadas na API de Twitter. As atualizações ocorrem de modo instantâneo e deste mesmo modo são comunicadas a quem está registrado para recebê-las. O sítio ofe- 50 ANOS DEPOIS: A “PSYCHANALYSE, SON IMAGE ET SON PUBLIC” NA ERA DO FACEBOOK 715 rece a possibilidade de compartilhar as atualizações com qualquer um, ou de destiná-las somente a algumas pessoas. Yahoo! Answers, sítio de Q&A – community-driven question-andanswer - é um serviço lançado pela Yahoo! em julho de 2005. Embora seja indicado e promovido como um sítio de busca, a sua natureza é frequentemente debatida entre os especialistas: a ausência de um sistema efetivo de filtro de conteúdo e as características intrínsecas às trocas conversacionais e às interações entre os usuários o fazem incluí-lo, sobretudo, como um serviço de rede social, e tal dado explicaria a grande difusão do sítio nos últimos anos, em nível global. É destinado à difusão e ao compartilhamento de conhecimentos. Permite aos usuários enviar perguntas e receber respostas sobre, praticamente, qualquer assunto. O autor da pergunta pode escolher a melhor resposta ou deixar à comunidade de usuários mediante votação. Por meio da aplicação de “estrelinhas” é possível, também, evidenciar o interesse dos usuários em relação à pergunta e contribuir para torná-la mais facilmente acessível aos outros usuários. As respostas podem ser selecionadas tendo como referência seu valor, mediante a indicação do “polegar” para cima ou para baixo. ANNAMARIA SILVANA DE ROSA 716 Referências Abric, J.-C. (1976). Jeux, conflits et représentations sociales. Tese de doutorado, Université de Provence, Aix-en-Provence. Abric, J.-C. (1993). Central system, peripheral system: their functions and roles in the dynamics of Social Representations, Papers on Social Representations, 2 (2), 75–8. Abric, J.-C. (2003a). La recherche du noyau central et de la zone muette des représentations sociales. In J.-C. Abric (Ed.), Méthodes d’Études des Représentations Sociales (pp. 119–43). Saint Agne: Eres. Abric, J.-C. (2003b). 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