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Por — São Paulo

RESUMO

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GERADO EM: 06/10/2024 - 04:30

Israel adota postura agressiva com Irã e aliados: análise da situação no Oriente Médio.

Após um ano de confrontos intensos no Oriente Médio, Israel adota postura agressiva com Irã e aliados, levando a instabilidade na região. Netanyahu expõe visão de defesa na ONU, resultando em aumento de ataques e fragmentação. Analistas alertam para incertezas e possíveis consequências negativas no longo prazo devido à estratégia de pressão máxima. Ações militares buscam estabelecer hegemonia, mas cenário geopolítico depende de mediação externa.

Quando Benjamin Netanyahu ocupou o púlpito da Assembleia Geral da ONU na semana passada, fez a exposição pública mais detalhada de uma autoridade israelense sobre a visão que guia o Estado judeu em meio à crise no Oriente Médio. Com uma retórica agressiva e usando mapas da região, o premier transmitiu duas mensagens principais: todas as ações hostis no último ano tem origem comum no Irã, e Israel tem o direito não apenas de se defender de cada uma delas para garantir sua segurança, mas o dever de garantir que a ameaça da República Islâmica — a qual comparou a uma "maldição" — seja contida.

— Olhem para este segundo mapa. É um mapa de uma maldição. É um mapa de um arco de terror que o Irã criou e impôs, do Oceano Índico ao Mediterrâneo — afirmou Netanyahu ao mostrar a ilustração com os países de onde opera o "Eixo da Resistência", como se apresentasse uma prova de acusação. — Se vocês acham que esse mapa sombrio é apenas uma maldição para Israel, então pensem novamente. A agressão do Irã, se não for controlada, colocará em risco todos os países do Oriente Médio e muitos, muitos países no resto do mundo.

Premier de Israel, Benjamin Netanyahu, durante discurso na Assembleia Geral da ONU — Foto: Charly TRIBALLEAU / AFP
Premier de Israel, Benjamin Netanyahu, durante discurso na Assembleia Geral da ONU — Foto: Charly TRIBALLEAU / AFP

O caso defendido pelo premier na ONU apresenta os pilares daquela que se tornou a visão majoritária em Israel desde o atentado lançado pelo Hamas há um ano. Analistas ouvidos pelo GLOBO dizem que o entendimento de que o Irã e seus aliados são de fato uma ameaça existencial ao Estado judeu e que, se nada for feito, seus rivais são capazes de agir — um pensamento que antes estava restrito a uma linha-dura — ganhou projeção com a quebra do tabu sobre a inviolabilidade de Israel por esses grupos e validou a abordagem atual, de partir para a ofensiva e engajar em combates, que tornou a região mais violenta e fragmentada.

— Estamos em um período de crescente visão em Israel de que o país deve ser agressivo e arcar com os riscos por isso — avaliou o presidente da Eurasia Group, Cliff Kupchan. — Grande parte do espectro político israelense concorda com essa visão neste momento, não apenas Netanyahu. Israel ainda está sob uma mentalidade de bunker.

Com respaldo popular e político para promover a escalada militar — o que recentemente permitiu a Netanyahu ampliar sua base aliada no Parlamento —, Israel pôs em prática uma campanha implacável contra seus inimigos regionais, absorvendo como dano colateral o rebaixamento de seu soft power. Porém, no campo militar, eliminou algumas das principais lideranças do Hamas — Ismail Haniyeh e Mohammed Deif — no contexto da guerra em Gaza; matou o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, e detonou parte da rede de comunicação analógica do grupo, levando a guerra à capital do Líbano; e atacou alvos na Síria, Iraque, Iêmen e Irã.

— No curto prazo, eu diria que Israel conseguiu restabelecer seu poder de dissuasão. A detonação de pagers [no Líbano] foi um grande golpe no grupo aliado do Irã e demonstrou a supremacia israelense e a assimetria da guerra — explicou a pesquisadora iraniana Sara Bazoobandi, do Instituto GIGA para Estudos sobre Oriente Médio, da Alemanha.

A pesquisadora avalia que as ações militares de Israel contra o "Eixo da Resistência" reverteram a ideia de que Israel não teria mais superioridade na região, após o ataque do Hamas, ao demonstrar que o Irã não tem capacidade de proteger seus aliados quando as tropas israelenses decidem lutar. O ataque com mísseis lançado pelo Irã durante a semana, explica, foi uma tentativa calculada pelo regime dos aiatolás para recuperar poder no tabuleiro local.

— Israel está tentando estabelecer uma nova hegemonia na região e, para isso, busca efetivamente eliminar o Hamas e, se possível, o Hezbollah. A ação para matar a liderança do Hezbollah mostra isso — afirmou Gunther Rudzit, professor de Relações Internacionais da ESPM.

Consequências incertas

Se a avaliação é de que, no curto prazo, Israel foi capaz de restabelecer seu poder de dissuasão, as conclusões sobre os efeitos do endurecimento atual no longo prazo são imprecisas. Consequências políticas com os países árabes, uma nova onda de terrorismo global e riscos para a segurança de Israel são resultados possíveis.

— Um subproduto inevitável [da política de pressão máxima] é o aumento do radicalismo regional e global. Este ódio que está sendo produzido pelo conflito é algo sobre o que todos nós deveríamos estar atentos e tornará o radicalismo global, os ataques terroristas e os ataques estilo "lobo solitário" mais prováveis no futuro — disse Kupchan.

Na avaliação da pesquisadora iraniana, a abordagem israelense dificilmente conseguirá reproduzir no longo prazo as repercussões imediatas. Ela argumenta que apenas a pressão total não deve ser capaz de criar um novo parâmetro de segurança sustentado.

— Duvido que essa postura consiga garantir a paz ou a segurança de Israel, porque o ódio a Israel existe para além dos tempos de vida de Hassan Nasrallah, [líder do Hamas] Yahya Sinwar ou Ismail Haniyeh. É uma ideologia, uma crença — disse Bazoobandi. — Se a geração atual tiver seus líderes e combatentes na luta contra Israel erradicados, a nova geração pode ser facilmente "cultivada" e doutrinada para continuar neste caminho.

'Musculatura' geopolítica

Fatores externos à região também contribuíram para as tomadas de decisão dos atores locais que estão na linha de frente. A tentativa israelense de criar uma nova hegemonia regional, explica Rudzit, teria observado um momento internacional favorável.

— Para impor essa visão, Israel está se aproveitando da pressão chinesa sobre o Irã, para que não haja uma escalada local que possa elevar o preço do petróleo e prejudicar o governo chinês e suas pretensões de crescimento econômico. Também se aproveita do fato de faltarem poucas semanas para as eleições nos EUA — afirmou o professor

Embora uma série de atores, como Catar e Egito tenham se apresentado como mediadores para um possível cessar-fogo em Gaza e que Israel tenha se imposto militarmente em múltiplos fronts, a avaliação do presidente do Eurasia Group é de que nenhum país com a "musculatura geopolítica" necessária para mudar o atual estado de conflito da região se envolverá até que haja um cessar-fogo em Gaza.

— Muito do que vai acontecer ainda vai depender dos EUA. Depende dos EUA serem os fiadores. Se houver uma missão de paz internacional, será necessária a bênção dos EUA e da ONU. As armas de Israel vem dos EUA — afirmou. — A "musculatura geopolítica" para mudar a natureza do Oriente Médio precisa sair, ao menos em parte, dos EUA. Então eu não vejo uma grande mudança. Precisaria de mais evidências para afirmar que a região pertence mais aos países da região agora do que antes.

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