A repórter Fabiana Godoy entrevistou, com exclusividade, Suzane Louise Von Richthofen, presa em 2002 depois de confessar ter participado do assassinato dos pais Manfred Alfred e Marísia Von Richthofen com o namorado Daniel Cravinhos e o irmão dele, Christian Cravinhos. A jovem, que estava em liberdade condicional, falou no dia 9 de abril de 2006.
EXCLUSIVO MEMÓRIA GLOBO
Webdoc com depoimentos exclusivos da equipe do ‘Fantástico’ ao Memória Globo sobre a entrevista com Suzane Louise Von Richthofen.
Após uma negociação que durou nove meses, a gravação foi feita em duas etapas. A primeira parte da entrevista foi feita no apartamento de um dos advogados de Suzane e amigo da família Richthofen, Denivaldo Barni, no Morumbi, em São Paulo. A jovem mostrou fotos da família e dos amigos, disse estar arrependida do que fez e que, se pudesse voltar aos 15 anos de idade, não teria se envolvido com Daniel Cravinhos, a quem acusava de tê-la levado a usar drogas. Em pouco mais de meia hora, ela chorou 11 vezes, sempre olhando para o advogado, em busca de apoio.
Fingimento
A segunda parte da entrevista, aconteceu no interior de São Paulo, na casa de amigos de Suzane. No começo da gravação, imagens captadas pela câmera do repórter cinematográfico Américo Figueirôa registraram uma conversa ao pé do ouvido entre Suzane e Denivaldo Barni, seu advogado-tutor. Graças ao microfone, que já estava ligado, foi possível ouvir Barni instruindo sua cliente a chorar na entrevista.
Momentos depois, quando a equipe do 'Fantástico' aguardava Suzane do lado de fora da casa, nova fala foi captada pelo microfone. Dessa vez, alguém orientava a jovem a falar sobre o ex-namorado: “Acabou. Mais nada. Começa a chorar e fala: ‘Não quero falar mais’… O que ele mandava… ‘ele mandava, sempre pedindo que eu o amasse…’ e ‘pelo amor de deus, não quero mais tocar nesse assunto, que me faz muito mal’. E chega”. O 'Fantástico' consultou um perito criminal que identificou a voz como sendo de Mário Sérgio de Oliveira, outro advogado de Suzane, que estava na casa durante o segundo encontro.
Repercussão
A entrevista do 'Fantástico' teve grande repercussão. As imagens levantaram a suspeita de que os advogados de Suzane pretendiam usar a entrevista para vender à opinião pública a imagem de uma moça infantilizada e influenciável, capaz de ser levada pelo namorado a participar do assassinato dos pais. O Ministério Público considerou que a liberdade condicional de Suzane poderia atrapalhar o julgamento. No dia seguinte à exibição da entrevista, Suzane foi presa novamente. Ao requerer a prisão, o promotor Roberto Tardelli argumentou que a jovem representava risco de morte para seu irmão, Andreas, com quem disputava a herança da família.