Por Memória Globo

Nelson Di Rago/Globo

'Ciranda Cirandinha' foi inspirado em um 'Caso Especial' com o mesmo nome, de autoria do escritor Paulo Mendes Campos, exibido em 1977. No Especial, cinco jovens que tinham acabado de se conhecer terminavam envolvidos em um crime. O então diretor de Operações da TV Globo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, ao ver a cena final do Especial – em que Fábio Jr. aparecia tocando, ao piano, a canção 'Let it Be', dos Beatles – teve a ideia criar um seriado que falasse sobre e para a juventude da época. Coube ao diretor Daniel Filho e ao roteirista Domingos Oliveira desenvolver o conceito. Os dois decidiram que o seriado deveria retratar o dilema existencial da juventude da década de 1970, criada sob o regime da ditadura militar. Os jovens pareciam conformados com a falência dos ideais da contracultura – como os conceitos de paz e amor difundidos pelo movimento hippie –, mas, ao mesmo tempo, eram incapazes de aceitar os valores impostos pelas gerações anteriores, representadas pelos pais e pelas autoridades.

Para definir melhor o conceito do seriado, Daniel Filho criou um slogan que acrescentava à frase “O sonho acabou” – lendária declaração de John Lennon ao decretar o fim de uma era – o complemento: “mas papai não tem razão.”
Por sugestão de Domingos Oliveira, os personagens foram desenvolvidos a partir da tipologia junguiana. Assim, Tatiana (Lucélia Santos) representaria a razão; Hélio (Fábio Jr.), a sensação; Susana (Denise Bandeira), o sentimento; e Reinaldo (Jorge Fernando), a intuição.

Do elenco de 'Ciranda Cirandinha' apenas Lucélia Santos já era uma atriz de sucesso. Fábio Jr. e Denise Bandeira estavam ainda em início de carreira, e Jorge Fernando precisou vencer vários outros concorrentes em um teste para interpretar seu personagem. Seu desempenho no teste foi considerado por Daniel Filho um dos melhores já presenciado pelo diretor.

Antes do início das gravações do seriado, o elenco se encontrava na casa do diretor Daniel Filho para conversar e tocar violão. As reuniões tinham o objetivo de aproximar os atores, o que traria como consequência uma interpretação bem natural.

Em 1979, 'Ciranda Cirandinha' recebeu um prêmio da Associação de Críticos de Arte de São Paulo (APCA). Recebeu também o prêmio Estácio de Sá, oferecido pelo governo do Estado do Rio de Janeiro.

'Ciranda Cirandinha' foi reapresentado como uma atração da Sexta Super, durante o Festival 20 Anos da Rede Globo, em 1985.

O seriado foi lançado em DVD em 2008, pela Globo Marcas e pela Som Livre, incluindo comentários do diretor Daniel Filho antes de cada um dos sete episódios selecionados, além de uma apresentação geral da produção.

A canção Pai, cantada por Heleno (Fábio Jr.) no episódio Toma que o Filho é Seu, inspirou Janete Clair a batizar uma de suas novelas de Pai Herói (1979). A canção – composta pelo próprio Fábio Jr. – também foi usada como tema de abertura da novela.

Alguns temas abordados em 'Ciranda Cirandinha' – drogas e amor livre, por exemplo – levaram a Censura Federal a exigir o corte de diversas cenas do seriado. A dependência química do personagem Joel (Eduardo Tornaghi) foi tratada de maneira velada por conta da pressão dos censores, que, por pouco, não impediram o episódio 'O Jardim Suspenso da Babilônia' de ir ao ar. Para que o primeiro episódio fosse exibido, Daniel Filho e o escritor Euclydes Marinho – que acabara de entrar para a equipe de roteiristas da TV Globo – foram obrigados a negociar pessoalmente com os censores, em Brasília. Outro episódio, intitulado 'O Freje', mostraria os desdobramentos da relação turbulenta entre Tavito (Anselmo Vasconcellos), um rapaz violento e desesperado, com a família e os amigos. O episódio falaria do cotidiano violento do Rio de Janeiro e lembraria, indiretamente, o caso da estudante Cláudia Lessin Rodrigues, ocorrido há pouco mais de um ano. Dessa vez, os censores foram implacáveis, e 'O Freje' acabou não indo ao ar.

Fábio Jr. e Zezé Motta em 'Ciranda Cirandinha', 1978 — Foto: Nelson Di Rago/Globo

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