Cada edição pretendia mostrar como um “programa de índio” poderia tornar-se uma aventura interessante e divertida. Os temas do 'Programa Legal' eram desenvolvidos pelos redatores a partir de uma pauta jornalística elaborada com base em rigoroso trabalho de pesquisa, a cargo de Rita Rocco, e em entrevistas e reportagens realizadas num registro bastante informal. A equipe de redação incorporava material jornalístico à ficção, dando unidade de linguagem e tratamento televisivo ao tema. Era um programa sofisticado, com edição ágil, ritmo acelerado e alta quantidade de informação. Dessa forma, o 'Programa Legal' tratou, entre outros temas, de turismo, esoterismo, alta sociedade, festa de São João, samba, baile de debutantes, culto ao corpo, música sertaneja e heavy metal. Em cada situação, Luiz Fernando Guimarães e Regina Casé davam vida a uma grande variedade de personagens e entravam em contato direto com as pessoas nas ruas. Para a atriz, o objetivo do programa era justamente trazer a televisão para a rua. O antropólogo Hermano Vianna, que, ao lado de Regina Casé, foi um dos idealizadores do 'Programa Legal', passou a fazer parte da equipe de redação em março de 1992.
Período de exibição: 09/04/1991-29/12/1992 | Horário: às terças-feiras, 21h30
EXCLUSIVO MEMÓRIA GLOBO
Webdoc sobre o 'Programa Legal' com entrevistas exclusivas do Memória Globo.
As ideias para o 'Programa Legal' eram tantas que Regina Casé e Hermano Vianna resolveram criar um grupo de estudos para discussão e troca de informações. Então, passaram a juntar os amigos — Hamilton Vaz Pereira, Guel Arraes, Luis Zerbini, Luiz Fernando Guimarães, Fausto Fawcett, Sérgio Mekler, Sílvia Pimenta, Barrão, Sandra Kogut — em reuniões na casa de Regina, que se tornou sede da produtora Pindorama. Ao longo dos anos, muita gente foi entrando na turma: Kassim e Berna, Alberto Renault, Felipe Veloso, Leonardo Netto e Estevão Ciavatta.
Curiosidades
Em 1992, chegou a ser gravado um episódio que pretendia mostrar a cidade de Brasília, para além da sua feição de capital política. No entanto, por um mal-entendido entre a produção e assessores do Congresso Nacional, o programa não foi exibido.
Os produtores haviam encaminhado pedidos formais para as presidências da Câmara e do Senado, solicitando autorização para que se gravassem cenas nas dependências das duas casas. Os pedidos estavam sendo avaliados pelos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado quando, diante da demora da resposta oficial, a equipe começou a gravar entrevistas com deputados. As perguntas diziam respeito ao “lado místico” da cidade. Duas horas de gravação depois, a equipe de produção, Luiz Fernando Guimarães e Regina Casé foram expulsos da Câmara e, logo em seguida, impedidos de entrar no Senado. O então diretor da Divisão de Comunicação do Congresso tentou justificar o ato, alegando que os membros da casa não poderiam permitir ser expostos em um “programa de deboche”.
Em setembro de 1992, uma exposição idealizada pela cenógrafa Cláudia Alencar reuniu cenários, figurinos, objetos de cena e vinhetas do 'Programa Legal' nos 1.500m2 do galpão do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Enquanto telas de televisão mostravam cenas de antigos episódios do programa, o público podia atravessar um corredor de motel decadente usado numa edição sobre sexo; passear pela favela cenográfica criada para a edição sobre samba; e apreciar trabalhos do artista plástico Barrão e os figurinos de Cao Albuquerque, entre outras peças.
Ficha Técnica
Redação: Hubert, Pedro Cardoso, André Waissman e Marcelo Tas, com a colaboração de Jorge Furtado e Luis Fernando Verissimo
Pesquisa: Rita Rocco
Cenografia: Cláudia Alencar
Figurinos: Cao Albuquerque
Direção: Guel Arraes, Belisário França
FONTES
Depoimentos concedidos ao Memória Globo por Cao Albuquerque (24/07/2006), Guel Arraes (07/12/2001) e Regina Casé (20/03/2002); Boletim de programação da TV Globo 952, 989, 1003, 1004, 1033; AZEVEDO, Eliane. “A dupla do riso” In: Veja, 02/10/1991; “Casa de ideias”. In: O Globo, 09/09/2007; CURY, Andréa. “Programa Legal ao vivo e a cores” In: Jornal do Brasil, 10/09/1992; “Humor não é bem recebido por assessores do Congresso” In: O Globo, 06/08/1992; MEMÓRIA GLOBO. 'Dicionário da TV Globo v. 1: programas de dramaturgia e entretenimento. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed., 2003'; MIGLIACCIO, Marcelo. “Congresso barra equipe do Legal” In: Folha de S. Paulo, 16/08/1992; SOUTO MAIOR, Marcel. Almanaque da TV Globo. São Paulo, Globo, 2006. |