O que fazer se o celular for roubado? Veja dicas de segurança
Se você tem alguma dúvida sobre segurança da informação (antivírus, invasões, cibercrime, roubo de dados etc.) vá até o fim da reportagem e utilize o espaço de comentários ou envie um e-mail para [email protected]. A coluna responde perguntas deixadas por leitores no pacotão, às quintas-feiras.
O celular praticamente guarda nossa vida - fotos, acesso a e-mails, redes sociais, tudo mesmo. E nossos aparelhos possuem diversos recursos de segurança - o celular é em geral mais seguro que o computador, inclusive. Mas é preciso conhecer esses recursos, entender por que eles existem e configurá-los da maneira certa.
Confira abaixo nove dicas essenciais para manter os dados do seu celular seguros.
1. Configure um método de bloqueio
Não há como proteger um celular que não possui uma senha de bloqueio. Este é o primeiro passo, e é essencial.
Celulares modernos fornecem muitas opções para o mecanismo de bloqueio: senha, desenho de padrão, reconhecimento digital, reconhecimento facial e reconhecimento de íris, dependendo do modelo.
O método mais seguro ainda é a boa e velha senha, desde que você configure uma boa senha (nem pense em usar datas ou sequências de número muito óbvias, como 123456 ou 11223344). Desenhar um "padrão" também é seguro, desde que você tome cuidado (o padrão é mais fácil de ser adivinhado a distância por um observador).
Reconhecimento de digital, fácil e íris são opções de conveniência. Dessas três, a digital é a opção mais segura, porque é a mais difícil de ser extraída. Há casos em que reconhecimento fácil e íris foram derrotados com uma foto.
2. Criptografe o celular
A senha de bloqueio é o que impede o uso do celular, mas o que realmente coloca essa proteção em prática para os seus dados é a criptografia do aparelho.
Muitos celulares já estão vindo com a criptografia ativada de fábrica, mas alguns modelos exigem que ela seja ativada nas configurações de segurança. Aparelhos mais antigos não terão essa opção, e é recomendado que você fique atento para adquirir um telefone criptografado na sua próxima compra.
3. Cuidado ao utilizar cartões de memória
Quando você criptografa o aparelho, o cartão de memória não é criptografado. Isso é um risco, porque, se o seu celular for roubado, é só tirar o cartão de memória e ler o que estiver ali. Isso pode acabar permitindo o vazamento de fotos e vídeos pessoais, já que esse tipo de arquivo muitas vezes fica no cartão.
Para garantir que o cartão de memória também seja criptografado, você precisa formatar o cartão como "Armazenamento interno" no Android. Se o seu cartão aparecer como "armazenamento portátil" no painel de armazenamento, ele não estará criptografado.
Lembre-se que um cartão criptografado não pode ser lido em nenhum outro dispositivo. Se você quer manter o seu cartão legível em outros celulares ou no computador, mantenha-o como armazenamento portátil e não armazene dados particulares no cartão. Você ainda pode usá-lo para músicas, filmes e livros digitais.
4. Só instale aplicativos da loja oficial
O iPhone nem mesmo permite oficialmente que você instale aplicativos fora do iTunes App Store. O Android dá essa opção, mas em geral ela é uma má ideia.
O Android tem bem mais problemas com vírus do que os aparelhos da Apple, mas, ainda que alguns dos casos sejam encontrados no Google Play, a maioria dos casos mais graves envolve aplicativos enviados para lojas "alternativas". Essas lojas são procuradas por oferecerem apps piratas ou que não estão disponíveis na região do usuário. Embora elas não sejam necessariamente maliciosas, elas não adotam o mesmo rigor que o Google na filtragem dos aplicativos. Por isso, muitos apps falsos e contaminados acabam aparecendo nessas lojas.
5. Cuidado com as permissões dos aplicativos
Quando você instala um aplicativo no Android, ele pede algumas permissões. Existem duas telas com as quais você precisa ter muito cuidado:
- Permissão administrativa
- Sobreposição de tela
A permissão administrativa pode tornar o aplicativo difícil de ser removido ou controlado. A sobreposição de tela permite que o aplicativo fique "por cima" de outros aplicativos, o que viabiliza o roubo de senhas, por exemplo. Imagine que você está acessando o aplicativo do seu banco e um app com sobreposição detecta isso para criar uma tela falsa por cima do app do banco. Este é o risco que você corre.
Para visualizar a lista de aplicativos que possuem essas permissões, é preciso ter um celular com Android 6.0 ou mais recente. Vá para Configurar > Aplicativos > Avançado [engrenagem] > Acesso especial (no fim da tela). Na lista, você poderá ver os aplicativos com permissões de "Administradores do dispositivo" e "Sobrepor a outros apps".
Além dessas duas permissões, tenha muito cuidado ao instalar teclados alternativos.
6. O que fazer se o telefone for roubado?
Se o seu celular for roubado, você precisa fazer duas coisas - provavelmente nessa ordem.
A primeira é localizar e/ou apagar os dados do dispositivo remotamente. Se você utiliza um iPhone, deverá fazer isso pelo iCloud. No caso do Android, é por meio da sua conta Google. Esse passo é de extrema importância se o seu celular não está criptografado.
- Passo a passo para iPhone
- Passo a passo para Android
O segundo passo é ligar para a operadora e comunicar o roubo. Existem um sistema integrado no Brasil para que o celular roubado seja bloqueado em todas as operadoras. Se você bloquear o seu celular antes de dar o comando para apagar os dados, talvez você não consiga mais contato com o seu celular. Por isso, apague os dados primeiro.
7. Cuidado com mensagens falsas
Uma mensagem que vem de um amigo seu no WhatsApp, ou até um SMS que diz vir do seu banco - inclusive com o seu nome. É convincente, mas pode ser fraude.
Muitos golpes que circulam por WhatsApp, por exemplo, tentam convencer as vítimas a encaminhar uma mensagem para seus contatos. A isca é uma promoção, um aplicativo especial ou o que for. Por isso, essas mensagens podem acabar chegando até você de outros amigos que caíram no golpe ou, no pior dos casos, que tiveram seu número clonado.
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8. É preciso instalar antivírus?
Não existe antivírus para iPhone destinado a consumidores e, no caso do Android, um antivírus é dispensável. Embora seja um programa muito relevante na segurança dos computadores, celulares são um cenário muito diferente, porque você já conta com o filtro da loja oficial do sistema, por exemplo.
Alguns antivírus, porém, podem oferecer recursos adicionais, como otimização de bateria, limpeza de dados de aplicativos para reduzir o espaço utilizado. Esses recursos podem justificar o uso do programa. Se você absolutamente precisa instalar aplicativos fora do Google Play, um antivírus também pode ser interessante.
9. Configure um backup
Além de ser roubado, seu celular pode parar de funcionar a qualquer momento.
Por isso, não deixe de configurar uma sincronização em nuvem para dados como fotos e vídeos. Você pode usar o iCloud (no iPhone) e o Google Drive (Android), além de soluções de terceiros como o OneDrive (Microsoft) ou Dropbox. O importante é que você configure a sincronização de dados.
Se você utiliza criptografia no seu aparelho, recuperar os dados de um telefone danificado pode ser difícil e caro, quando não impossível. Logo, a sincronização dos dados com a nuvem é um complemento importante para manter seus dados acessíveis em todo tipo de contratempo.
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