Por Redação g1 — Belo Horizonte


Cássia Regina Alves das Neves em entrevista na porta do IML — Foto: Reprodução/TV Globo

Na porta do Instituto Médico Legal (IML) de Belo Horizonte, Cássia Regina Alves das Neves relatou, ao mesmo tempo, a dor de perder o ex-marido e o alívio de saber que a filha, de 13 anos, sobreviveu ao acidente na BR-116, em Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri. A colisão entre um ônibus, uma carreta e um carro deixou 41 mortos na madrugada deste sábado (21).

"Deus deu a oportunidade de eu abraçar minha filha mais uma vez. Eu agradeço muito a Deus por essa oportunidade", disse a mulher durante a liberação do corpo do ex-companheiro.

O pai da adolescente, Max Borges do Santos, de 46 anos, estava no coletivo, que pegou fogo após a batida. Ele morava em São Paulo e viajava com a filha para Vitória da Conquista, na Bahia, onde os dois passariam o Natal.

Max estava na primeira cadeira, atrás do motorista, e não resistiu aos ferimentos. O corpo dele foi um dos 41 levados para identificação no IML da capital mineira.

Já a adolescente foi socorrida e está internada em um hospital de Teófilo Otoni.

"Vai ser bem difícil, porque ela era muito apegada a ele. Ele era um maravilhoso pai, ele era um maravilhoso filho, ele era um maravilhoso irmão, era muito querido pelos amigos, muito querido por todo mundo. Ele vai fazer muita falta, e minha filha vai sentir muita falta do amigo, principalmente, e eu também, porque ele era muito meu amigo", afirmou Cássia.

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Identificação e investigação

Subiu para 41 o número de mortos do acidente na BR-116 em Teófilo Otoni (MG) neste sábado (21). A informação foi confirmada pela Polícia Civil de Minas Gerais em coletiva de imprensa.

Segundo a instituição, todos os cadáveres deram entrada no IML de Belo Horizonte. Até o início da noite deste domingo (22), 12 corpos foram identificados — dois deles já liberados aos familiares.

A polícia vai dar continuidade ao processo de identificação e de aviso às famílias. Não há informações sobre divulgação de lista dos nomes reconhecidos.

A principal hipótese é de que o acidente foi causado por uma pedra de granito que se soltou de uma carreta (leia mais abaixo). O motorista do veículo está com a habilitação apreendida há dois anos e não tinha autorização para dirigir. Ele é considerado foragido pela polícia.

Ônibus pegou fogo após colidir contra carreta — Foto: Corpo de Bombeiros MG/Divulgação

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O acidente

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O acidente ocorreu na altura do km 285 da BR-116, em Lajinha, uma comunidade rural de Teófilo Otoni. O Corpo de Bombeiros informou que a colisão aconteceu por volta das 3h30 e envolveu três veículos: um ônibus da empresa Emtram, um carro de passeio e uma carreta carregada com um bloco de granito.

Vídeos gravados por pessoas que passaram pela rodovia momentos após o acidente mostram os veículos em chamas (veja acima).

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), informações preliminares e vestígios no local indicam que um grande bloco de granito se soltou da carroceria da carreta e atingiu o ônibus, que seguia na rodovia, em sentido contrário.

O coletivo havia saído do terminal do Tietê, em São Paulo, às 7h de de sexta-feira (20) com destino a várias cidades na Bahia, sendo a última parada no município de Elísio Medrado, a 230 km de Salvador.

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