O que fazer no Distrito Federal

Por Milena Castro*, G1 DF

O que é, o que é? Parece um violino, mas não é. Para encontrar a resposta para esta adivinhação é preciso conhecer um instrumento que é tocado desde a Idade Média, e que ganhou espaço no Brasil a partir de manifestações populares, como a Folia de Reis.

Os grupos são, atualmente, os responsáveis por manter vivo o som da rabeca, um instrumento de origem árabe, que é o precursor do violino. No Brasil, ele chegou pelas mãos dos portugueses e ganhou formas e timbres peculiares a cada região (veja mais curiosidades abaixo).

No Distrito Federal, o grupo Raiz de Macaúba assumiu a tarefa de continuar disseminando a música que sai da rabeca e, "para alcançar mais ouvidos", eles promovem a 2ª edição do Encontro de Rabecas neste sábado (28), a partir das 9h, com transmissão pela internet.

A programação conta com uma oficina sobre o instrumento e apresentações musicais. O acesso é gratuito.

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Encontro de Rabecas

Mestre Luiz Paixão vai ministrar uma oficina sobre rabecas neste sábado (28), no Distrito Federal. — Foto: Toni Braga

O evento começa com uma oficina dedicada ao instrumento. À frente da aula está o Mestre Luiz Paixão, que vai ensinar sobre composição, afinação e exercícios para tocar o instrumento, além de falar quais os tipos de rabeca existem.

Durante o sábado, ainda tem apresentações musicais de grupos de diversas partes do país. Veja programação:

  • 9h: Oficina de Rabeca de Cavalo Marinho com Mestre Luiz Paixão
  • 19h: Show com Raiz de Macaúba
  • 20h: Show com Os Gitiranas
  • 21h: Show com As Fulô do Cerrado
  • 22h: Show com Mestre Luiz Paixão

Rabeca X violino

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Quem vê de longe pode até confundir a rabeca e o violino. Mas, acredite, os instrumentos são bem diferentes – "cada um deles é fabricado de uma maneira, o que resulta em sons distintos", contam os músicos.

A rabeca tem de três a cinco cordas. Ela é feita de materiais variáveis, conforme a região onde é confeccionada.

Já o violino, que é uma espécie de "filho" da rabeca, dizem os especialistas, foi modificado por várias gerações de luthiers até atingir o padrão atual.

Outra diferença diz respeito aos lugares que os instrumentos ocupam. "O violino tem total intimidade com os palcos elegantes, já a rabeca é dos terreiros, animadora da cultura popular", aponta Daniel Carvalho, músico que toca rabeca há 11 anos.

"Pra mim, o violino é uma rabeca, mas nem toda rabeca pode ser um violino. A principal diferença são as linguagens. A construção da rabeca segue menos padrões que a construção do violino, sendo assim, tem mais variações em formas, cores, timbres, formas de tocar e afinações", diz o músico.

Segundo Daniel, como não há aula de rabeca nas escolas de música, com a internet ficou mais fácil de ver e aprender a tocar. "Eu aprendi observando, ouvindo e tocando com Dinda Salu, Maciel Salu e Luis Paixão", diz ele.

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Grupo Raiz de Macaúba, que é responsável pelo 2ª Encontro de Rabecas. O homem do meio é músico Daniel Carvalho. — Foto: Davi Mello

Daniel Carvalho faz parte do Raiz de Macaúba, grupo anfitrião do 2º Encontro de Rabecas. A primeira edição do evento, em 2018, foi organizada para comemorar o aniversário de um ano do primeiro disco deles.

À época, os músicos fizeram uma produção independente no Mercado Sul, em Taguatinga. Desta vez, o encontro será pela internet, com transmissão da Casa do Cantador, em Ceilândia.

Programe-se

2º Encontro de Rabecas

  • Quando: sábado (28)
  • Horário: a partir das 9h
  • Onde: pelo YouTube
  • De graça

*Sob supervisão de Maria Helena Martinho

Veja o que fazer em Brasília no G1 DF.

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