Os pilotos da Latam trocaram um calhamaço de cerca de 40 folhas de papel em cada voo realizado por um simples iPad. A companhia anunciou, na última semana, que concluiu o processo de digitalização da documentação utilizada pelos pilotos em seus voos domésticos no Brasil.
As informações e dados que eram acessados pelos pilotos foram transferidos para iPads adaptados. "Antes de realizar uma viagem, cada piloto recebe uma pasta com documentos essenciais para aquela operação. São informações sobre o plano de voo, aeroporto de origem, destino, meteorologia, dados de performance e balanceamento da aeronave. Tudo isso totalizava 40 folhas”, conta Harley Meneses, diretor de operações da Latam Brasil.
“O que fizemos agora foi ampliar o uso de uma tecnologia que implementamos nas aeronaves em 2017, com a instalação de chips nos iPads e softwares absolutamente seguros que permitem acesso a esses documentos com mais agilidade, praticidade e sustentabilidade”, completa o executivo.
O resultado: a companhia deixará de imprimir mais de 6 milhões de folhas de papel por ano.
A inovação foi autorizada pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e, até o fim deste ano, deve estar disponível também nos voos internacionais e cargueiros da Latam.
Digitalização implementada em fases
A primeira fase do projeto aconteceu em julho de 2017, quando a companhia aérea eliminou os manuais impressos de pilotos em todas as suas aeronaves do Brasil, com a instalação de iPads nas cabines de comando dos aviões. Agora, a companhia ampliou o uso dessa tecnologia, com a instalação de chips e softwares em mais de 400 tablets.
Em setembro de 2022, a empresa havia eliminado os registros impressos de todos seus processos de manutenção de aviões e componentes aeronáuticos no Brasil. Desta forma, os mecânicos da companhia passaram a utilizar um sistema eletrônico para os registros de suas atividades, deixando de imprimir 3,36 milhões de folhas de papel por ano.
Em dezembro do ano passado, desapareceram os manuais impressos de comissários de bordo, que passaram a ficar disponíveis para os tripulantes em seus celulares corporativos, distribuídos pela empresa para mais de 3.400 funcionários no país. Com essa medida, a empresa deixará de imprimir 1,8 tonelada de papel e de emitir 362 toneladas de CO2 por ano.
Somadas todas essas iniciativas, a empresa estima que deixará de imprimir mais de 45 toneladas de papel e de emitir mais de 5 mil toneladas de CO2 por ano no Brasil.
Pegada de carbono da aviação
O setor de aviação responde por 3,5% das atividades humanas que provocam o aquecimento global, segundo a pesquisa mais abrangente já feita sobre o tema, publicada em 2020 na revista científica Atmospheric Environment. O estudo internacional, liderado pela Universidade Metropolitana de Manchester, no Reino Unido, apontou que os aviões emitiram 32,6 bilhões de toneladas de gás carbônico ao longo de sua história (de 1940 a 2018) – metade disso nos últimos 20 anos.
Em outubro de 2021, as empresas integrantes da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, em inglês) – que inclui as brasileiras Latam, Gol e Azul – se comprometeram a atingir emissão líquida zero até a metade do século, o que vai envolver uma combinação de combustíveis sustentáveis, novas tecnologias de propulsão, eficiência operacional e de infraestrutura e compensações/captura de carbono para preencher as eventuais lacunas.
Em maio de 2021, a Latam renovou a sua estratégia de sustentabilidade com metas para alcançar a neutralidade de carbono até 2050, eliminar plásticos de uso único até 2023 e ser um grupo com zero resíduos para aterros sanitários até 2027. Em junho deste ano, foi eleita pela Anac a companhia aérea com melhor desempenho em sustentabilidade no Brasil em 2022.